terça-feira, junho 27, 2006

Quedas no efetivo da União dos Escoteiros do Brasil: uma reflexão


O assunto é importante. Olhem este gráfico que eu preparei, depois de muito suar a procura destas informações. Considero que este exercício é de extrema relevância para o desenvolvimento da União dos Escoteiros do Brasil (UEB). O gráfico mostra o censo oficial da UEB, no final de cada ano, de 1980 a 2005.
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Fico olhando para este gráfico, tentando compreender as razões das quedas no efetivo.
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Nestes 25 anos o efetivo caiu em 10 anos e nos outros 15 anos subiu. Sendo que destas 10 quedas, 4 são referentes justamente aos últimos 4 anos. Houve também uma enorme queda de 1993 para 1995 (20.000 pessoas). Esta grande queda interrompeu uma curva de ascensão que existia, no mínimo, desde o início da década de 80.
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Fico tentando imaginar o motivo da grande queda de 1993 a 1995 e da queda continuada de 2001 para cá.
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Pode ser que eu esteja enganado, pode ser que as variáveis sejam outras, internas ou externas ao Movimento Escoteiro (gostaria de ouvir opiniões sobre isto), mas consigo pensar em dois motivos internos para estas duas quedas:
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Lembro que em 1992, aos 11 anos de idade, quando eu ingressei no Movimento Escoteiro, havia uma enorme revolta em relação à imposição da mudança de uniforme (ninguém mais poderia adotar o cáqui). A revolta foi tão grande que acarretou, algum tempo depois, na volta atrás da posição pela UEB, e aquilo virou opcional. Mas como muita gente já tinha mudado, a maioria não voltou ao que era antes, e ficou no uniforme novo mesmo.
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Já em 2000 foi o ano em que nenhuma alcatéia poderia mais usar o (antigo) programa escoteiro, teria que adotar o (novo) programa de jovens. Em 1999 iniciou-se efetivamente este processo. E foi motivo de muita revolta, principalmente porque a expectativa era que a imposição do novo programa seria também estendida aos demais ramos, que sofreriam muitas modificações. Gerou muita, muita revolta. E o processo depois disto ficou estagnado, não havendo, no ramo escoteiro, integralmente as publicações nem do antigo nem do novo programa, com revoltas generalizadas pelos anos de atraso destas publicações.
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Repito: posso estar enganado. Mas não seriam, talvez, estas duas quedas (a grande, no passado; e a continuada, situação em que nos encontramos) resultados de REVOLTAS dentro do Movimento Escoteiro? Às vezes um fato leva algum tempo para surtir efeito (6 meses, 1 ano, depende do fato), e como o nosso Movimento é composto por voluntários, para os quais ou a alegria reina ou o voluntário debanda dali a algum tempo, considero importante considerar estas duas grandes ocasiões de revoltas nesta análise das quedas do nosso efetivo. Seria isto tudo coincidência?
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Estamos hoje num processo de reforma institucional da UEB. Mas temos que olhar para trás e tentar entender as razões que nos levaram: 1- a crescer; e 2- a decrescer. Temos que ver o que deu certo e o que deu errado. Temos uma grande história já escrita que nos permite refletir sobre o que devemos fazer para reverter a situação atual, retomando o crescimento e não passando por estas crises novamente. Por isto julgo válido todos nós fazermos uma reflexão profunda, séria, com este gráfico com os dados oficiais do efetivo da UEB.
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Gostaria que este material alcançasse a toda a Direção Nacional da UEB (Conselho de Administração Nacional - CAN e Diretoria Executiva Nacional - DEN). Quem sabe isto não deveria ser assunto da próxima reunião do CAN, marcada agora para julho?
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Os dados estão aí. É hora de analisarmos e refletirmos sobre o passado, para que possamos traçar melhor o nosso futuro.
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E você, o que pensa a respeito?
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Sempre Alerta,
David Izecksohn Neto
Diretor Presidente do 8º/RJ - GESFA
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB