terça-feira, novembro 07, 2006

UEB ou WFIS: qual é a melhor resposta?

Há alguns meses tenho lido escritos de pessoas que gostariam de criar uma nova instituição para a prática do Escotismo no Brasil, que seria ligada à WFIS – World Federation of Independent Scouts. São pessoas que, como eu, criticam diversos pontos dentro da estrutura da nossa União dos Escoteiros do Brasil. Considero, contudo, que nossas semelhanças de pensamento sobre que atitude tomar param por aí.

Embora eu concorde que a nossa instituição tem diversas falhas, eu trabalho para corrigí-las. Há quatro anos, considerei que as falhas eram no meu Grupo Escoteiro e, para tirá-lo da lama formamos uma nova Diretoria Local e então eu assumi como Diretor Presidente do Grupo. O que fizemos? Basicamente foram 6 pontos (algum dia eu escreverei sobre isso, mas resumidamente eles foram: Captação, Reconhecimento, Desafios, Chefia, Diretoria e Alegria). O 8º/RJ GESFA, que ia se encaminhando para a extinção se transformou em um Grupo que há três anos só cresce, conquistando por três vezes seguidas o grau Ouro no Torneio Grupo Padrão da Direção Nacional da UEB (qualquer dia também escreverei sobre esse tema). Na prática, saímos dos cerca de 30 membros para os quase 80 de hoje. Ainda somos poucos, mas continuamos a crescer. Temos problemas, mas vamos vivendo felizes e cada vez fazendo um trabalho melhor, a ponto de que conseguimos fazer a sucessão na Presidência do Grupo, para que eu possa agora atuar em outros pontos necessários no próprio Grupo.

Em 2005 fui convidado para ser Coordenador de Área, ou seja, para estar à frente de 14 Grupos Escoteiros da minha cidade e adjacências. Foi a primeira vez que pude sair da esfera local para contribuir na instância regional. Fizemos atividades de integração, ajudamos alguns Grupos e fortalecemos de alguma forma o Escotismo na nossa cidade (não fiz nada disso sozinho, cabe dizer). Dirigi um Curso Informativo e fiz sugestões para melhorarmos o calendário de cursos de nossa Região, entre outros itens.

Naquele mesmo ano me candidatei a Delegado Regional para a Assembléia Nacional da UEB. Eleito, fui para o Ceará não a passeio, mas para discutir, debater, propor melhorias para a UEB. Saí de lá com uma missão que deleguei a mim mesmo: permitir que todos que tivessem acesso à internet pudessem saber do que havia se passado na Assembléia, principalmente sobre Programa de Jovens e Estrutura da UEB, permitindo inclusive que qualquer pessoa, por este Blog, ou por algumas comunidades do Orkut e listas escoteiras tomasse conhecimento e adentrasse nesse processo de reforma institucional, fazendo sugestões. Fiz até uma palestra gratuita em minha Região, também com esse objetivo.

Infelizmente críticos existem aos montes, mas pessoas que se engajam no processo de melhoria são poucos. Tínhamos dois meses para fazer propostas, mas nesse ínterim só eu encaminhei tal material à Direção Nacional, fato que muito me desapontou. Quando pediram que cada Direção Regional o fizesse, só Brasília mandou. Quando pediram a todos os membros da UEB (embora tal informação não tenha chegado a todos, mas pelo menos 300 pessoas souberam), só eu mandei.

No ano atual (2006), além de novamente me candidatar à Delegado Regional, função para a qual novamente fui eleito, me candidatei também à única vaga da Região Rio para a “Indicação para membro do Conselho de Administração Nacional da UEB”. A votação foi acirrada, mas infelizmente perdi, por 66 a 50 votos, para o companheiro Fabrício. De toda forma, tentei me inserir ainda mais no processo decisório da nossa instituição. Ainda não era a minha hora, mas não me arrependo de ter tentado. Pelo contrário.

Considero que há muito a ser corrigido, tanto dentro dos Grupos, quanto nas Regiões e também no nível nacional.

Afinal, temos que ter uma coisa em mente: por mais que faltem literaturas, por mais que o programa educativo esteja com anos de atraso e tenha tido uma implementação de cima para baixo e extremamente mal feita, por mais que por vezes exista pouca oferta de cursos, por mais que certas atividades sejam caras, etc, etc, há Grupos que vêm sendo muito bem sucedidos, crescendo quantitativamente e qualitativamente. Há Grupos com 10 pessoas e também há aqueles com 500! Há Regiões cujo efetivo vem se reduzindo e há aquelas que tem crescido ano após ano. Embora o apoio das instâncias superiores não seja exatamente o que deveria ser, para um mesmo ambiente externo há Grupos que conseguem progredir. Temos que refletir sobre isso, para não culpar os outros por problemas que são nossos. Certamente todos têm sua parcela de culpa, mas isso significa que temos que nos inserir também nessa história, para ver onde estamos falhando e procurarmos evoluir.

Como julgo que posso agir mais em prol de outros Grupos, há quase dois anos deixei de agir apenas na instância local, para me envolver também nos níveis regional e nacional. Ao contrário de muitos, eu persisto e tento aprender cada vez mais, para mudar para melhor o nosso ambiente institucional. De nada adianta criticar se você não se aperfeiçoa e se oferece para ajudar a melhorar. Minha mais recente atitude nesse sentido foi a participação, neste feriado, do Curso Avançado de Dirigentes Institucionais. Aprendi muito com esse curso. Eu sempre soube que, embora julgasse ter muito conhecimento, eu não sabia de tudo. Agora tenho a certeza de que sempre terei muito a aprender.

Fiz esse relato pessoal para mostrar que tenho lutado pelo que eu acredito. E é essa a atitude que considero que todos deveriam ter.

Agora voltando ao assunto da criação de outra entidade escoteira no país. Em primeiro lugar, há que se estudar vantagens e desvantagens. Alguns outros países possuem mais de uma instituição oficial. Certos países também possuem Escoteiros e Bandeirantes juntos. Ou seja, há como fazer estudos comparativos / culturais para tomar uma decisão como essa.

Minha visão pessoal sobre esse tema, contudo, é quase como um ditado popular: Se você não consegue resolver os problemas da sua própria casa, mudar de casa não necessariamente trará a solução. Todos os problemas que hoje existem em nossa instituição no futuro existirão também em qualquer outra que seja criada. Criar algo novo não é a melhor resposta. Lutar para melhorar a nossa casa é a raiz da questão.

Será que quem desistiu analisou cuidadosamente o que está errado e pensou em formas de corrigir o processo? Será que sabia exatamente do que estava falando? Será que conversou com pessoas mais experientes? Será que lutou? Se lutou, o fez no lugar, com as pessoas e da forma correta? Não é dentro de um Grupo que se resolvem problemas nacionais... Por que não se candidatar a algum cargo regional ou nacional? Por que não mandar proposta para o processo de reforma da UEB?

Lembrem-se: A UEB é o conjunto de todos nós. Nós criamos a nossa própria história, tanto nos Grupos, Regiões ou na esfera Nacional, de forma direta ou indireta. Diretamente agimos assumindo cargos, funções, tarefas. Indiretamente elegemos pessoas para os níveis regional e nacional. De uma forma ou de outra, a culpa pelos nossos problemas é de cada um de nós.

Escreveremos o nosso futuro. Lutemos pela melhoria da UEB.