Na última postagem explanei as novidades da última Assembléia Nacional da UEB. Dentre elas, como citado, está o democrático processo liderado pela Comissão Nacional de Gestão Institucional, para reformar a União dos Escoteiros do Brasil.
Contudo, como também citei no tópico anterior, dentre todas as Diretorias Regionais, somente a Região do Distrito Federal encaminhou proposta. Devemos congratular, e muito, esta Região, que cumpriu com o seu dever. Porém, acredito que para não ficar limitado a uma única proposta, o CAN resolveu, no I Seminário Nacional sobre o tema (que aconteceu em abril deste ano) abrir o processo a todos os membros da UEB que assim o desejassem, ampliando o prazo para até o dia 30 de junho de 2006, para que pudéssemos prosseguir com o processo de reforma.
Muitos de vocês podem não ter ficado sabendo disto. Se for este o caso, e você for Escotista ou Dirigente de Grupo, verifique quem são os seus Delegados Regionais e cobrem isto deles. Afinal, eles foram eleitos e são os responsáveis não apenas por representar a Região na Assembléia Nacional, mas também por “trazer de volta” a informação para as suas Regiões, para que os Grupos Escoteiros possam ficar sabendo o que está ocorrendo e participar de processos democráticos como estes.
Por vezes culpamos a “Direção Nacional” pelas falhas do Escotismo no Brasil (de forma semelhante quando jogamos a culpa no “Governo”), mas não sabemos que ela até tentou chegar até o Grupo, mas as vias intermediárias não repassaram a informação. Este processo de reforma institucional é um exemplo claro disto. Mesmo sendo Presidente de um Grupo Escoteiro, se não fosse por eu estar presente na Assembléia Nacional de Fortaleza, eu certamente não teria ficado sabendo que poderia enviar propostas para a reforma da UEB. Porém, este é um tema para um futuro debate...
Voltando ao assunto principal: Tendo em vista que o processo estava aberto a propostas, arregacei as mangas e lá fui eu escrever uma cartinha para a UEB. Pensei, pensei, e depois de queimar um pouco os miolos cheguei a 10 sugestões práticas que, penso eu, melhorariam bastante a nossa instituição.
Pode ser que existam outras sugestões melhores (não tenho acesso às demais propostas, nem sei quantas são ao total), mas gostaria de compartilhar com todos o que escrevi à Direção Nacional. Eis a carta:
Niterói, RJ, 30 de junho de 2006.
De: David Izecksohn Neto – Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB / Diretor Presidente do 8º/RJ GESFA
A: Conselho de Administração Nacional da União dos Escoteiros do Brasil
Via: E-mail para o Escritório Nacional, com cópia para os Diretores Presidentes de cada Região Escoteira.
Assunto: Proposta de reformulação institucional da UEB
Referência: Solicitação feita no Seminário Nacional de Gestão Institucional (04/2006).
Anexo: Histórico sobre o Programa de Jovens e Crescimento do Efetivo da UEB
Estive presente ao Seminário Nacional de Gestão Institucional que ocorreu em Fortaleza em abril deste ano e atendendo a chamada realizada naquela ocasião envio minhas sugestões para o aprimoramento de alguns pontos em nossa instituição. Tais opiniões são fruto apenas de minha visão como Diretor Presidente de um Grupo Escoteiro, não devendo ser consideradas opiniões representativas de toda a Região Rio.
Na condição de Delegado Regional realizei inclusive uma Palestra na Região Rio, para expor este processo democrático de reforma institucional e comunicar que o mesmo estava aberto a sugestões por qualquer membro da UEB.
Dividirei este documento em duas partes. Na primeira proponho uma reflexão sobre a queda do nosso efetivo nacional, o que eu acredito ser o nosso principal problema e fato gerador deste processo de reforma institucional. Na segunda parte faço sugestões práticas para a reforma da UEB.
Em um arquivo anexo envio um Histórico que preparei com o resumo de atas da nossa instituição, que tratam do crescimento do efetivo da UEB e do Programa de Jovens, as quais servem de ilustração para o que irei expor neste documento.
PARTE 1: Uma Reflexão Sobre a Queda do Efetivo Nacional da UEB
Nota para os leitores do BLOG:
O texto que eu inseri nesta “Parte 1” desta carta à Direção Nacional foi exatamente o mesmo da primeira postagem deste BLOG, intitulada “Quedas no efetivo da União dos Escoteiros do Brasil: uma reflexão”. Desta forma, se ainda não o leu, leia e faça esta reflexão antes de prosseguir com a leitura deste documento.
A carta prossegue a partir daí:
...
Apenas resumindo minha tese: em minha opinião não foi a cor do uniforme ou o conteúdo do programa que teriam determinado estas quedas. Porém, o fato de terem sido mudanças radicais, feitas na base da imposição, dentro de um Movimento que é composto por voluntários, é que teriam acarretado estas revoltas e com isto a falta de motivação em adotar o “novo/imposto” ou de ali permanecer, dentre outros problemas.
Repito: seria isto tudo coincidência? Deixo esta pergunta como reflexão a todos vocês.
PARTE 2: Sugestões Práticas para a Reforma da UEB
Na minha concepção, se não fosse pelo trabalho dos Escotistas com os jovens, as Diretorias das Unidades Escoteiras Locais não teriam razão de existir. O que dizer então das estruturas Regionais, Nacionais e Internacionais?!
Desta forma, a reforma da UEB deve ter em mente o benefício direto aos jovens e as Unidades Locais. Só que hoje temos uma estrutura nacional que está muito afastada dos Grupos Escoteiros. Como poderíamos aproximá-los? Dou algumas sugestões a seguir.
Também penso que nem toda a nossa necessidade de melhoria depende de alterações estatutárias, mas sim de políticas permanentes de ouvir a real demanda dos Grupos Escoteiros.
Sugiro o seguinte, sobre 10 itens distintos:
1- Divulgação obrigatória no site da UEB dos endereços eletrônicos (e-mails) de cada membro do Conselho de Administração Nacional e da Diretoria Executiva Nacional.
Desta forma qualquer membro da UEB poderia entrar facilmente em contato com estas pessoas. Hoje isto é praticamente impossível, a não ser que você seja “do meio”.
2- Criação na estrutura da UEB, do Fórum Virtual Permanentemente Aberto dos Diretores Presidentes das Unidades Escoteiras Locais de todo o país. Participariam deste Fórum, também, todos os Diretores Presidentes das Regiões Escoteiras, assim como todos os membros do CAN e da DEN.
No nível local, a figura de maior autoridade é o Diretor Presidente. Por ser o responsável direto pelo planejamento do seu Grupo Escoteiro, em sua atuação ele diariamente percebe os problemas pelos quais o seu Grupo passa. Através da troca de experiências bem-sucedidas entre os Grupos, alguns destes problemas poderiam ser evitados ou minimizados caso ele tivesse o acesso às experiências de outros Diretores Presidentes.
Ainda, com este Fórum a Direção Nacional e as Direções Regionais poderiam identificar o que é uma dificuldade específica de um Grupo Escoteiro e o que é uma dificuldade generalizada para a maioria dos Grupos Escoteiros de uma Região e/ou de todo o Brasil. Neste último caso, os Dirigentes Nacionais (CAN e DEN) poderiam saber em tempo real ou no curtíssimo prazo o que tem dado certo e o que tem dado errado nas políticas traçadas pela Direção Nacional.
Este Fórum, de caráter aberto, onde todos os presidentes estariam convidados a escrever suas demandas (ao contrário da lista hoje existente de Dirigentes na yahoogrupos, que é meramente informativa) inclusive tornaria os Diretores Presidentes co-responsáveis pelas políticas nacionais. Haveria um sentimento de “estar participando” das esferas decisórias (o que, de fato, ocorreria) e isto inclusive valorizaria a função de Presidente de Grupo.
Tal Fórum, inclusive, poderia ter anualmente duas sessões de forma presencial, a primeira durante os Congressos Escoteiros Regionais (cada Região faria a sua), e a segunda durante o Congresso Escoteiro Nacional.
É válido considerar que, tendo em vista que os membros do CAN e da DEN não necessariamente trabalham no dia-a-dia dos Grupos Escoteiros, este seria um espaço privilegiado para que a Direção Nacional pudesse conhecer as demandas reais do “povo escoteiro” para poder trabalhar de forma eficiente a fim de melhor atendê-las.
Ou seja, o principal objetivo seria o atendimento das necessidades reais para o bom trabalho com os jovens. Seria a participação chegando diretamente até os Grupos Escoteiros.
3- Mandato fixo para a Diretoria Executiva Nacional (DEN)
Hoje a DEN é escolhida e/ou ratificada a cada reunião do CAN. Como este se reúne 3 ou 4 vezes por ano, isto na prática significa que os membros da DEN podem ter um mandato muito curto. Se um Presidente da UEB quiser, por exemplo, fazer uma mudança muito drástica, ficará a perigo de ser retirado da DEN na próxima reunião, dali 3 ou 4 meses. Isto está errado. Um Dirigente tem que poder pensar a longo prazo, tomando as políticas que julga serem necessárias. Porém, para ele ter a garantia que a política que tomar terá tempo de mostrar os frutos com os resultados, ele precisa ter a garantia de permanência naquela função por, pelo menos, um ano inteiro, uma vez que certas políticas dão bons resultados, mas estes às vezes levam certo tempo para aparecer.
Desta forma, sugiro que toda a Diretoria Executiva Nacional (DEN) tenha um mandato fixo de, pelo menos, 1 ano.
Sugiro também que a DEN obrigatoriamente seja escolhida dentre os membros do CAN. Assim a Assembléia Nacional estaria efetivamente escolhendo os Dirigentes Nacionais, sabendo que, dentre os membros eleitos ao CAN, um deles será o Presidente da instituição.
Ainda, já ouvi de alguns membros e ex-membros do CAN a reclamação de que enxergam conflitos de funções entre o CAN e a DEN, e que os executivos nacionais se reportam apenas à DEN. Este problema deve ser solucionado, ou então o CAN e a DEN deveriam se tornar um órgão único.
4- Comissão Nacional de Programa de Jovens (CNPJ): alteração na estrutura
Hoje os membros da CNPJ devem ser indicados pelas Diretorias Regionais. E há Diretorias que não indicam ninguém, ou indicam poucas pessoas, conforme anunciado no Seminário Nacional de Programa de Jovens realizado em abril deste ano. Em minha opinião, cada Região deveria eleger anualmente, por ocasião das suas Assembléias Regionais, os seus representantes com direito a voto na CNPJ. Assim o compromisso destes seria maior (foram eleitos), a Região como um todo tomaria conhecimento e seria co-participante do processo de escolha das melhores pessoas para compor a CNPJ. E, em última análise, não faltariam braços para trabalhar na CNPJ.
Ainda, há o problema que a CNPJ só faz recomendações, não possuindo poderes para deliberar. Quem tem este poder é apenas o CAN e a DEN. Desta forma, percebemos que o problema da CNPJ não é apenas de falta de debate ou de pessoas para trabalhar, mas sim de poder executar o que foi decidido.
Exemplifico:
Reuniões da CNPJ de março de 2002; novembro de 2003 e junho de 2004:
– Nestas três reuniões foram explicitadas a necessidade de técnicas escoteiras para complementar os novos guias, uma vez que não havia quase nenhuma técnica neles.
Reuniões da CNPJ de novembro de 2003 e novembro de 2004:
– Nestas duas reuniões foram argumentados que os 4 guias dos lobinhos deveriam ser somente 2 guias.
Contudo, estamos em 2006 (já se passaram quase 3 anos destas reuniões), e estes pontos continuam a ser motivo de crítica por grande parte dos Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros, assim como pela própria CNPJ (conforme pôde ser percebido no já citado seminário nacional de programa de jovens).
Desta forma, vem a pergunta: Por que a coisa não anda? Será que no ano que vem vamos continuar a ouvir estas mesmas necessidades de mudança?
Torna-se relevante questionarmos: nos últimos anos, que serventia teve a CNPJ? Pela análise das suas atas, vemos que muitas coisas boas foram lá discutidas, mas, sem o poder de decisão / execução, muito pouca coisa saiu do papel.
Ou seja, a estrutura da CNPJ deveria ser repensada, para ganhar poder decisório.
5- Publicações Escoteiras: todas que forem aprovadas pelo CAN deverão ser disponibilizadas para todas as regiões e grupos escoteiros, pela loja escoteira nacional.
Temos um problema hoje com as publicações do programa de jovens, pois as mesmas estão atrasadas. Contudo, há Regiões que têm publicado materiais interessantes e de conteúdo rico, só que estes materiais acabam ficando com suas circulações restritas naquelas Regiões. Isto é errado.
Todas as publicações deveriam ser levadas ao CAN, que, se aprovasse as mesmas, deveria disponibilizar a sua venda na loja escoteira nacional, permitindo que todos os Grupos tomassem conhecimento das mesmas e pudessem adquirir tais materiais.
Enquanto isto não acontece, os escotistas e dirigentes, quando podem, têm que fazer “importação” (ou seria “contrabando”?), de um Estado para o outro.
6- POR: mudanças só se vierem explicitadas e com argumentos para a sua modificação. Mudanças que afetassem os jovens deveriam ter que ser aprovadas também pela CNPJ.
O Estatuto da UEB só pode ser alterado em Assembléia Nacional. Porém o POR pode ser alterado pela Direção Nacional, mesmo sendo um documento essencial para o nosso dia-a-dia. O resultado é que os Grupos Escoteiros tem que acatar as decisões, e muitas das vezes eles não ficam sabendo o porquê das mudanças, nem quais foram estas (a não ser que leiam o documento inteiro). Desta forma, sugiro que as mudanças no POR sempre venham explicitadas, em negrito, e acompanhadas de um documento que explique o que gerou aquela modificação. Assim os escotistas e dirigentes poderiam entender o que gerou a mudança, sem ficarem revoltados por, além de não terem sido consultados, não terem sido informados dos motivos das modificações.
Já as mudanças que afetem os jovens deveriam ser objeto de aprovação na CNPJ (conforme composição sugerida anteriormente), pois seria o fórum mais experiente para tomar este tipo de decisão.
7- Atas da CNPJ, CAN, Assembléias e Reuniões de Diretorias Regionais: disponibilizadas no site da UEB Nacional (ou Regiões, conforme o caso) 15 dias após o acontecimento.
É certo que as atas das reuniões da CNPJ, do CAN, das Assembléias Nacionais e Regionais e das Reuniões das Diretorias Regionais devem ser motivo de aprovação na reunião seguinte dos respectivos órgãos. Porém, cabe salientar a necessidade de todas as pessoas que não estiveram presentes a estes eventos conhecerem o que se passou nos mesmos, antes que o assunto se torne letra morta. Desta forma, sugiro que “atas sob aprovação” sejam disponibilizadas em até 15 dias após estes acontecimentos, para qualquer membro da UEB poder acessá-las. Após a aprovação definitiva, a ata seria substituída.
8- Pesquisas de opinião periódicas.
Baden-Powell falava em “Ask the boy”. Porém, a maior parte das mudanças que afetam os jovens não passam por pesquisas. Que dizer então das mudanças que afetam os Escotistas e Dirigentes? Foi assim com a mudança no uniforme, foi assim com a mudança no Programa Educativo, foi assim com a mudança no processo de Liz de Ouro, foi assim com a mudança na Insígnia de B-P, só para citar alguns exemplos.
Os órgãos nacionais geralmente tomam decisões pela opinião deles próprios. Não fazem pesquisas nacionais, não dão o direito a qualquer membro da UEB de expor a sua opinião, ou quando dão tal direito (como foi o caso da mudança no POR), não enviam resposta às sugestões enviadas que não foram consideradas.
O resultado disto é que a Direção Nacional por vezes realiza políticas que vão contra o interesse dos Grupo Escoteiros, por simples desconhecimento do que se passa dentro dos mesmos.
Perguntar não ofende, não faz mal, pelo contrário, valoriza a pessoa e torna a política mais sábia. O Fórum Permanente de Diretores Presidentes de Grupos Escoteiros, sugerido anteriormente, poderia ser um ótimo local para a realização destas pesquisas de opinião.
Afinal, qualquer grande organização que se preze, antes de “vender” um produto novo, realiza uma pesquisa de opinião para saber se aquele produto irá “vender” bem, ou a melhor forma de fazê-lo.
9- Cursos Escoteiros: modificar as Diretrizes Nacionais para Gestão de Adultos
A quantidade mínima de participantes deveria ser reduzida: no caso de uma Região não conseguir alcançar os 12 integrantes mínimos, o curso de escotistas deveria ser efetuado com no mínimo 8 membros (duas patrulhas de quatro pessoas) e o de dirigentes com no mínimo 3 membros (quantidade equivalente a uma diretoria eleita). Infelizmente, da forma como é hoje, a “flexibilização” é relativa, e muitas vezes não ocorre. Desta forma, as vezes quem quer fazer curso acaba não conseguindo, e isto prejudica e muito o funcionamento dos Grupos Escoteiros, assim como a motivação dos adultos que têm seus cursos cancelados.
10- Refletir sobre como uma imposição sobre algo que afeta o dia-a-dia dos Grupos Escoteiros pode causar revoltas altamente prejudiciais
Reflitam sobre o gráfico da Parte 1 deste documento.
Encaminho estas sugestões para serem analisadas pelo Conselho de Administração Nacional, particularmente a Comissão Nacional de Gestão Institucional. Como último questionamento, deixo a seguinte pergunta: Hoje temos uma Plano Estratégico da UEB para até 2010. Embora ele tenha sido elaborado no final de 2005, só em junho deste ano ele foi disponibilizado a todos. E quando da sua disponibilização ele já se encontrava com vários itens atrasados. Por quê? O problema é mesmo o planejamento estratégico, ou outra coisa? Afinal, planejamento estratégico já tínhamos antes (o que foi feito do “plano nacional de crescimento”?). Então, por que a coisa não anda? Espero que esta reforma institucional ajude a responder, e a resolver, esta pergunta.
Caminhemos rumo a uma UEB mais eficiente. No que eu puder ajudar, estarei a disposição.
Aproveito para dar os parabéns a todos os responsáveis pela qualidade do processo democrático que se prevê neste mecanismo de reforma da UEB. Passar pelo CAN, DEN, Conselho Consultivo, Assembléia Nacional, Seminários Regionais e Seminários Nacionais é simplesmente sensacional, e, penso eu, justamente o que tínhamos que fazer, sempre.
Sempre Alerta,
– Nestas duas reuniões foram argumentados que os 4 guias dos lobinhos deveriam ser somente 2 guias.
Contudo, estamos em 2006 (já se passaram quase 3 anos destas reuniões), e estes pontos continuam a ser motivo de crítica por grande parte dos Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros, assim como pela própria CNPJ (conforme pôde ser percebido no já citado seminário nacional de programa de jovens).
Desta forma, vem a pergunta: Por que a coisa não anda? Será que no ano que vem vamos continuar a ouvir estas mesmas necessidades de mudança?
Torna-se relevante questionarmos: nos últimos anos, que serventia teve a CNPJ? Pela análise das suas atas, vemos que muitas coisas boas foram lá discutidas, mas, sem o poder de decisão / execução, muito pouca coisa saiu do papel.
Ou seja, a estrutura da CNPJ deveria ser repensada, para ganhar poder decisório.
5- Publicações Escoteiras: todas que forem aprovadas pelo CAN deverão ser disponibilizadas para todas as regiões e grupos escoteiros, pela loja escoteira nacional.
Temos um problema hoje com as publicações do programa de jovens, pois as mesmas estão atrasadas. Contudo, há Regiões que têm publicado materiais interessantes e de conteúdo rico, só que estes materiais acabam ficando com suas circulações restritas naquelas Regiões. Isto é errado.
Todas as publicações deveriam ser levadas ao CAN, que, se aprovasse as mesmas, deveria disponibilizar a sua venda na loja escoteira nacional, permitindo que todos os Grupos tomassem conhecimento das mesmas e pudessem adquirir tais materiais.
Enquanto isto não acontece, os escotistas e dirigentes, quando podem, têm que fazer “importação” (ou seria “contrabando”?), de um Estado para o outro.
6- POR: mudanças só se vierem explicitadas e com argumentos para a sua modificação. Mudanças que afetassem os jovens deveriam ter que ser aprovadas também pela CNPJ.
O Estatuto da UEB só pode ser alterado em Assembléia Nacional. Porém o POR pode ser alterado pela Direção Nacional, mesmo sendo um documento essencial para o nosso dia-a-dia. O resultado é que os Grupos Escoteiros tem que acatar as decisões, e muitas das vezes eles não ficam sabendo o porquê das mudanças, nem quais foram estas (a não ser que leiam o documento inteiro). Desta forma, sugiro que as mudanças no POR sempre venham explicitadas, em negrito, e acompanhadas de um documento que explique o que gerou aquela modificação. Assim os escotistas e dirigentes poderiam entender o que gerou a mudança, sem ficarem revoltados por, além de não terem sido consultados, não terem sido informados dos motivos das modificações.
Já as mudanças que afetem os jovens deveriam ser objeto de aprovação na CNPJ (conforme composição sugerida anteriormente), pois seria o fórum mais experiente para tomar este tipo de decisão.
7- Atas da CNPJ, CAN, Assembléias e Reuniões de Diretorias Regionais: disponibilizadas no site da UEB Nacional (ou Regiões, conforme o caso) 15 dias após o acontecimento.
É certo que as atas das reuniões da CNPJ, do CAN, das Assembléias Nacionais e Regionais e das Reuniões das Diretorias Regionais devem ser motivo de aprovação na reunião seguinte dos respectivos órgãos. Porém, cabe salientar a necessidade de todas as pessoas que não estiveram presentes a estes eventos conhecerem o que se passou nos mesmos, antes que o assunto se torne letra morta. Desta forma, sugiro que “atas sob aprovação” sejam disponibilizadas em até 15 dias após estes acontecimentos, para qualquer membro da UEB poder acessá-las. Após a aprovação definitiva, a ata seria substituída.
8- Pesquisas de opinião periódicas.
Baden-Powell falava em “Ask the boy”. Porém, a maior parte das mudanças que afetam os jovens não passam por pesquisas. Que dizer então das mudanças que afetam os Escotistas e Dirigentes? Foi assim com a mudança no uniforme, foi assim com a mudança no Programa Educativo, foi assim com a mudança no processo de Liz de Ouro, foi assim com a mudança na Insígnia de B-P, só para citar alguns exemplos.
Os órgãos nacionais geralmente tomam decisões pela opinião deles próprios. Não fazem pesquisas nacionais, não dão o direito a qualquer membro da UEB de expor a sua opinião, ou quando dão tal direito (como foi o caso da mudança no POR), não enviam resposta às sugestões enviadas que não foram consideradas.
O resultado disto é que a Direção Nacional por vezes realiza políticas que vão contra o interesse dos Grupo Escoteiros, por simples desconhecimento do que se passa dentro dos mesmos.
Perguntar não ofende, não faz mal, pelo contrário, valoriza a pessoa e torna a política mais sábia. O Fórum Permanente de Diretores Presidentes de Grupos Escoteiros, sugerido anteriormente, poderia ser um ótimo local para a realização destas pesquisas de opinião.
Afinal, qualquer grande organização que se preze, antes de “vender” um produto novo, realiza uma pesquisa de opinião para saber se aquele produto irá “vender” bem, ou a melhor forma de fazê-lo.
9- Cursos Escoteiros: modificar as Diretrizes Nacionais para Gestão de Adultos
A quantidade mínima de participantes deveria ser reduzida: no caso de uma Região não conseguir alcançar os 12 integrantes mínimos, o curso de escotistas deveria ser efetuado com no mínimo 8 membros (duas patrulhas de quatro pessoas) e o de dirigentes com no mínimo 3 membros (quantidade equivalente a uma diretoria eleita). Infelizmente, da forma como é hoje, a “flexibilização” é relativa, e muitas vezes não ocorre. Desta forma, as vezes quem quer fazer curso acaba não conseguindo, e isto prejudica e muito o funcionamento dos Grupos Escoteiros, assim como a motivação dos adultos que têm seus cursos cancelados.
10- Refletir sobre como uma imposição sobre algo que afeta o dia-a-dia dos Grupos Escoteiros pode causar revoltas altamente prejudiciais
Reflitam sobre o gráfico da Parte 1 deste documento.
Encaminho estas sugestões para serem analisadas pelo Conselho de Administração Nacional, particularmente a Comissão Nacional de Gestão Institucional. Como último questionamento, deixo a seguinte pergunta: Hoje temos uma Plano Estratégico da UEB para até 2010. Embora ele tenha sido elaborado no final de 2005, só em junho deste ano ele foi disponibilizado a todos. E quando da sua disponibilização ele já se encontrava com vários itens atrasados. Por quê? O problema é mesmo o planejamento estratégico, ou outra coisa? Afinal, planejamento estratégico já tínhamos antes (o que foi feito do “plano nacional de crescimento”?). Então, por que a coisa não anda? Espero que esta reforma institucional ajude a responder, e a resolver, esta pergunta.
Caminhemos rumo a uma UEB mais eficiente. No que eu puder ajudar, estarei a disposição.
Aproveito para dar os parabéns a todos os responsáveis pela qualidade do processo democrático que se prevê neste mecanismo de reforma da UEB. Passar pelo CAN, DEN, Conselho Consultivo, Assembléia Nacional, Seminários Regionais e Seminários Nacionais é simplesmente sensacional, e, penso eu, justamente o que tínhamos que fazer, sempre.
Sempre Alerta,
Niterói, 30 de junho de 2006.
David Izecksohn Neto
Diretor Presidente do 8º/RJ Grupo Escoteiro São Francisco de Assis
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB
Membro presente ao Seminário Nacional de Gestão Institucional (abril / 2006)
Registro UEB Nº 058693-5
dinscout@yahoo.com.br
www.movimentoescoteiro.blogspot.com
AOS LEITORES DESTE BLOG:
Gostaria de lembrar que a chamada de propostas acabou, mas que este foi somente o primeiro passo. O cronograma deste processo de reforma prevê a discussão generalizada por todo o país. Ou seja: é muito democrático, mas temos que batalhar para que os Seminários Regionais aconteçam (e estejamos todos lá para dar a nossa opinião) e que os nossos representantes (Delegados Regionais e candidatos ao CAN), eleitos por nós, estejam engajados com o processo de desenvolvimento da nossa instituição. Desta forma, mesmo que você não possa ir fisicamente até a Assembléia Nacional da UEB que ocorrerá em Goiânia (2007), você terá a certeza de que o assunto foi discutido com quem realmente interessa: OS GRUPOS ESCOTEIROS.
Fique atento às novidades (itens azuis no quadro que inicia este tópico), cobre da sua Diretoria Regional, dos seus Delegados Regionais e dos membros do CAN residentes em sua Região. É seu direito, e também o seu dever fazê-lo.
PARTICIPE!
Quem sabe você não tem uma boa idéia para levarmos adiante?
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