terça-feira, novembro 07, 2006

UEB ou WFIS: qual é a melhor resposta?

Há alguns meses tenho lido escritos de pessoas que gostariam de criar uma nova instituição para a prática do Escotismo no Brasil, que seria ligada à WFIS – World Federation of Independent Scouts. São pessoas que, como eu, criticam diversos pontos dentro da estrutura da nossa União dos Escoteiros do Brasil. Considero, contudo, que nossas semelhanças de pensamento sobre que atitude tomar param por aí.

Embora eu concorde que a nossa instituição tem diversas falhas, eu trabalho para corrigí-las. Há quatro anos, considerei que as falhas eram no meu Grupo Escoteiro e, para tirá-lo da lama formamos uma nova Diretoria Local e então eu assumi como Diretor Presidente do Grupo. O que fizemos? Basicamente foram 6 pontos (algum dia eu escreverei sobre isso, mas resumidamente eles foram: Captação, Reconhecimento, Desafios, Chefia, Diretoria e Alegria). O 8º/RJ GESFA, que ia se encaminhando para a extinção se transformou em um Grupo que há três anos só cresce, conquistando por três vezes seguidas o grau Ouro no Torneio Grupo Padrão da Direção Nacional da UEB (qualquer dia também escreverei sobre esse tema). Na prática, saímos dos cerca de 30 membros para os quase 80 de hoje. Ainda somos poucos, mas continuamos a crescer. Temos problemas, mas vamos vivendo felizes e cada vez fazendo um trabalho melhor, a ponto de que conseguimos fazer a sucessão na Presidência do Grupo, para que eu possa agora atuar em outros pontos necessários no próprio Grupo.

Em 2005 fui convidado para ser Coordenador de Área, ou seja, para estar à frente de 14 Grupos Escoteiros da minha cidade e adjacências. Foi a primeira vez que pude sair da esfera local para contribuir na instância regional. Fizemos atividades de integração, ajudamos alguns Grupos e fortalecemos de alguma forma o Escotismo na nossa cidade (não fiz nada disso sozinho, cabe dizer). Dirigi um Curso Informativo e fiz sugestões para melhorarmos o calendário de cursos de nossa Região, entre outros itens.

Naquele mesmo ano me candidatei a Delegado Regional para a Assembléia Nacional da UEB. Eleito, fui para o Ceará não a passeio, mas para discutir, debater, propor melhorias para a UEB. Saí de lá com uma missão que deleguei a mim mesmo: permitir que todos que tivessem acesso à internet pudessem saber do que havia se passado na Assembléia, principalmente sobre Programa de Jovens e Estrutura da UEB, permitindo inclusive que qualquer pessoa, por este Blog, ou por algumas comunidades do Orkut e listas escoteiras tomasse conhecimento e adentrasse nesse processo de reforma institucional, fazendo sugestões. Fiz até uma palestra gratuita em minha Região, também com esse objetivo.

Infelizmente críticos existem aos montes, mas pessoas que se engajam no processo de melhoria são poucos. Tínhamos dois meses para fazer propostas, mas nesse ínterim só eu encaminhei tal material à Direção Nacional, fato que muito me desapontou. Quando pediram que cada Direção Regional o fizesse, só Brasília mandou. Quando pediram a todos os membros da UEB (embora tal informação não tenha chegado a todos, mas pelo menos 300 pessoas souberam), só eu mandei.

No ano atual (2006), além de novamente me candidatar à Delegado Regional, função para a qual novamente fui eleito, me candidatei também à única vaga da Região Rio para a “Indicação para membro do Conselho de Administração Nacional da UEB”. A votação foi acirrada, mas infelizmente perdi, por 66 a 50 votos, para o companheiro Fabrício. De toda forma, tentei me inserir ainda mais no processo decisório da nossa instituição. Ainda não era a minha hora, mas não me arrependo de ter tentado. Pelo contrário.

Considero que há muito a ser corrigido, tanto dentro dos Grupos, quanto nas Regiões e também no nível nacional.

Afinal, temos que ter uma coisa em mente: por mais que faltem literaturas, por mais que o programa educativo esteja com anos de atraso e tenha tido uma implementação de cima para baixo e extremamente mal feita, por mais que por vezes exista pouca oferta de cursos, por mais que certas atividades sejam caras, etc, etc, há Grupos que vêm sendo muito bem sucedidos, crescendo quantitativamente e qualitativamente. Há Grupos com 10 pessoas e também há aqueles com 500! Há Regiões cujo efetivo vem se reduzindo e há aquelas que tem crescido ano após ano. Embora o apoio das instâncias superiores não seja exatamente o que deveria ser, para um mesmo ambiente externo há Grupos que conseguem progredir. Temos que refletir sobre isso, para não culpar os outros por problemas que são nossos. Certamente todos têm sua parcela de culpa, mas isso significa que temos que nos inserir também nessa história, para ver onde estamos falhando e procurarmos evoluir.

Como julgo que posso agir mais em prol de outros Grupos, há quase dois anos deixei de agir apenas na instância local, para me envolver também nos níveis regional e nacional. Ao contrário de muitos, eu persisto e tento aprender cada vez mais, para mudar para melhor o nosso ambiente institucional. De nada adianta criticar se você não se aperfeiçoa e se oferece para ajudar a melhorar. Minha mais recente atitude nesse sentido foi a participação, neste feriado, do Curso Avançado de Dirigentes Institucionais. Aprendi muito com esse curso. Eu sempre soube que, embora julgasse ter muito conhecimento, eu não sabia de tudo. Agora tenho a certeza de que sempre terei muito a aprender.

Fiz esse relato pessoal para mostrar que tenho lutado pelo que eu acredito. E é essa a atitude que considero que todos deveriam ter.

Agora voltando ao assunto da criação de outra entidade escoteira no país. Em primeiro lugar, há que se estudar vantagens e desvantagens. Alguns outros países possuem mais de uma instituição oficial. Certos países também possuem Escoteiros e Bandeirantes juntos. Ou seja, há como fazer estudos comparativos / culturais para tomar uma decisão como essa.

Minha visão pessoal sobre esse tema, contudo, é quase como um ditado popular: Se você não consegue resolver os problemas da sua própria casa, mudar de casa não necessariamente trará a solução. Todos os problemas que hoje existem em nossa instituição no futuro existirão também em qualquer outra que seja criada. Criar algo novo não é a melhor resposta. Lutar para melhorar a nossa casa é a raiz da questão.

Será que quem desistiu analisou cuidadosamente o que está errado e pensou em formas de corrigir o processo? Será que sabia exatamente do que estava falando? Será que conversou com pessoas mais experientes? Será que lutou? Se lutou, o fez no lugar, com as pessoas e da forma correta? Não é dentro de um Grupo que se resolvem problemas nacionais... Por que não se candidatar a algum cargo regional ou nacional? Por que não mandar proposta para o processo de reforma da UEB?

Lembrem-se: A UEB é o conjunto de todos nós. Nós criamos a nossa própria história, tanto nos Grupos, Regiões ou na esfera Nacional, de forma direta ou indireta. Diretamente agimos assumindo cargos, funções, tarefas. Indiretamente elegemos pessoas para os níveis regional e nacional. De uma forma ou de outra, a culpa pelos nossos problemas é de cada um de nós.

Escreveremos o nosso futuro. Lutemos pela melhoria da UEB.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Eleições na UEB: Carta aos Associados

(CARTA POSTADA SOMENTE APÓS AS ELEIÇÕES EM MINHA REGIÃO, PARA QUE NÃO FOSSE UTILIZADA POLITICAMENTE EM MEU NOME OU EM NOME DE QUALQUER OUTRA PESSOA).


AOS ASSOCIADOS DA UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL:
Estamos em épocas de eleições... na sociedade brasileira e também dentro do escotismo no Brasil. Você tem críticas a fazer, se revolta por atos e omissões de pessoas... mas você participa do processo decisório das assembléias de grupo, regionais e/ou nacional? Tem escolhido seus representantes? Já se candidatou alguma vez para uma função de diretoria no Grupo, Região ou Nacional? Como verá no texto abaixo, apesar da União dos Escoteiros do Brasil possuir alguns pontos frágeis no seu Estatuto, na forma de eleger seus representantes, ela possui também muitos pontos fortes.

O escotismo é voltado aos jovens. Se não for para fortalecer a ação dos escotistas junto aos jovens, uma diretoria de grupo não tem sentido de existir. O que dizer então de uma diretoria regional? Ela só existe para apoiar o funcionamento dos Grupos Escoteiros, seja oferecendo cursos, atividades, loja escoteira, etc. Já a direção nacional tem por objetivo fortalecer os Grupos e as Regiões, assim como a imagem do escotismo na sociedade brasileira como um todo.

Ok, mas como isto tudo começa? De onde surgem estas pessoas? Como são feitas as eleições? Bem, o nosso sistema na União dos Escoteiros do Brasil é representativo...

As assembléias de grupo, formadas pelos seus associados, elegem seus delegados de Grupo na proporção de um delegado para cada 50 membros registrados, mais um representante da diretoria.

Estes delegados vão à assembléia regional em seu Estado e elegem, a cada três anos, diretorias regionais compostas por chapas de 5 elementos. Também são eleitos, anualmente e para um mandato de três anos, um membro da comissão fiscal regional e um membro da comissão de ética regional, que são comissões de fiscalização e supervisão. Todos os anos também são eleitos delegados regionais para a Assembléia Nacional da UEB, na proporção de um delegado para cada 1.000 registrados na Região. Ainda, é eleito anualmente um membro para ser indicado ao Conselho de Administração Nacional da UEB. É importante observar que os candidatos citados não precisam ser necessariamente, delegados de grupo.

--> PONTO FRÁGIL 1: embora sejam os delegados de grupo que votem, os candidatos não necessariamente fazem um bom trabalho, ou sequer atuam dentro de algum grupo escoteiro.

Anualmente, na Assembléia Nacional, órgão máximo do Movimento Escoteiro no Brasil são eleitos, pelos delegados regionais, 5 membros para o Conselho de Administração Nacional (CAN). São 15 membros ao todo, com mandatos de 3 anos cada, sendo que a cada ano renova-se um terço do quadro. Só podem se candidatar a este cargo as pessoas que foram indicadas pelas respectivas assembléias regionais. É válido citar que cada região só pode indicar uma pessoa por ano e que num mesmo momento não pode haver mais de 3 pessoas de uma mesma região no CAN.

Cabe citar que o CAN é o órgão que toma decisões como, por exemplo, as relativas ao uniforme, programa de jovens, publicações escoteiras, diretrizes nacionais para gestão de adultos, custo do registro anual, etc.

Os membros do CAN podem participar das Comissões Nacionais. Hoje temos as seguintes comissões: Comissão de Programa de Jovens, de Relações Internacionais, de Gestão de Adultos, de Relações Institucionais, de Crescimento e de Gestão Institucional. Outros membros registrados da UEB podem participar destas comissões, mas somente se forem convidados.

O CAN nomeia a cada reunião a Diretoria Executiva Nacional (DEN), composta por 3 pessoas (que também só precisam ser registradas na UEB) e que tem a missão de executar os planos traçados pelo CAN. Reportam-se à DEN os Executivos Profissionais do nível nacional (funcionários do chamado “Serviço Escoteiro Profissional”, que são funcionários da UEB).

--> PONTO FRÁGIL 2: O principal órgão executor na UEB não é o CAN, que foi eleito, mas sim a DEN, que foi nomeada. O presidente da DEN é que é o Presidente da UEB. E nós não elegemos o Presidente da UEB, a não ser que este seja escolhido dentre os membros do CAN. Isto é errado. Está certo que nós elegemos os membros do CAN e damos o poder para que eles escolham quem serão os 3 membros da DEN, quem será o nosso Presidente. Só que se eu pudesse não dar este direito, eu não o faria. O nosso estatuto nacional deveria ser alterado. Se nós elegemos 15 pessoas para administrar a UEB, dentre elas deveria sair sempre o seu presidente. Ou então nós mesmos deveríamos eleger diretamente o Presidente da UEB. Ainda, como o mandato na DEN é temporário, podendo ser revogado a cada reunião do CAN (que acontecem aproximadamente quatro vezes ao ano), o Presidente tem poderes muito limitados em termos de tempo no cargo.

Na assembléia nacional também são eleitos membros para a comissão de ética nacional e comissão fiscal nacional. Uma observação: neste caso estas pessoas não precisam ser necessariamente delegados regionais ou possuírem qualquer outra habilitação. Basta que sejam membros registrados da UEB.

--> PONTO FRÁGIL 3: Um erro do nosso regulamento, em minha opinião. Alguém pode não ser considerado adequado em sua própria região, mas ser eleito para um cargo nacional na comissão de ética ou na comissão fiscal. Os membros da região da pessoa sequer precisam saber que aquela pessoa será candidato.

É válido citar que também existe o Fórum Consultivo, que é composto pelos Diretores Presidentes de todas as regiões escoteiras. Geralmente este Fórum se reúne simultaneamente à assembléia nacional.

CONCLUSÕES:
Dentro do Escotismo, como foi citado, há pontos frágeis. E para isto é urgente uma mudança no Estatuto da UEB, fato que só pode ser feito por motivação dos Conselheiros Nacionais (CAN) e votado, num segundo momento, pelos delegados regionais na Assembléia Nacional.

Se você não comparece às assembléias no seu Grupo Escoteiro e não vai à assembléia regional então você está permitindo que outros tomem a decisão por você.

Se você não se oferece para a instituição, para um cargo que tenha competência para exercer, não adianta reclamar do mau trabalho dos outros. Você pode até não ser eleito, mas terá lutado pelo que acredita.

Se você comparece, mas vota apenas pela sua amizade ou pelo “nome” da pessoa, se você vota por causa de algum acordo de votos, você faz pior: você prejudica o processo. Deveríamos votar nas propostas e competências das pessoas e em nada mais. De nada adianta chegar numa assembléia regional com “o voto do grupo”. Pois você não ouviu ainda as propostas das chapas concorrentes. Então como definiu o seu voto? Pela amizade, pela imagem da pessoa, por qualquer razão que não foram pelas suas propostas.
Uma nota: isto é o que mais ocorre na assembléia nacional. Fazem uma fila com todos os candidatos (ao CAN, à comissão de ética e à comissão fiscal) e disponibilizam alguns poucos segundos para que cada um se apresente. Os votos são decididos antes. O correto seria dar 10 minutos para que cada candidato (no mínimo os candidatos ao CAN) apresentasse quem ele é, o que já fez, sua forma de pensar e o que propõe de ações concretas para a melhoria do nosso Movimento.

Muitas vezes reclamamos dos nossos políticos na sociedade brasileira. Contudo, pense: votamos diferente dentro do escotismo? Somos humanos, mas somos escoteiros. Temos que ser melhores do que seríamos se não fizéssemos parte deste Movimento.

Porém, mesmo com todos os defeitos institucionais e humanos, a instituição é democrática. Cada sociedade tem os representantes que merece. E dentro do escotismo não é diferente. Para o bem ou para o mal, isto é e será sempre a verdade. Ao fim e ao cabo, todos estamos aqui para o bem do Movimento Escoteiro. Temos às vezes idéias de trabalho diferentes, competências distintas, mas o voto é do povo.

Então, para terminar: se você está chateado com questões tais como: o atraso de vários anos no Programa de Jovens; a falta de publicações escoteiras; o custo do registro subindo ano após ano; os cursos sendo cancelados a todo o momento; atividades regionais e nacionais cada vez mais voltadas às elites; problemas dentro do seu próprio Grupo Escoteiro, lembre-se: você teve, tem e sempre terá a oportunidade de escolher seus representantes, ou até mesmo de ser um deles. Ou você o faz, ou os outros o farão por você.

Esteja sempre alerta, vote sempre consciente!

quarta-feira, agosto 30, 2006

Ser escoteiro é... (video)


Este video foi feito pela Organização Mundial do Movimento Escoteiro, mais especificamente pela sua equipe de Comunicação e Media, em agosto de 2005.

Muitas pessoas perguntam: por que ser escoteiro? O que vocês fazem? Este video ajuda a responder tais indagações.

Eu havia publicado aqui no BLOG o video em inglês, mas localizei esta versão com legendas em português (postada no YouTube pelo rafafroes) e assim estou substituindo a primeira.

Esta certamente é uma ótima ferramenta de comunicação. Aproveitem!

Eu recomendo. É fabuloso!

terça-feira, agosto 15, 2006

Reforma da UEB: Resultado Parcial = Exército de um homem só?

Quando escrevi sobre a última Assembléia Nacional da UEB, que ocorreu em Fortaleza em abril deste ano ( ver: http://movimentoescoteiro.blogspot.com/2006/07/novidades-da-assemblia-nacional-2006.html ), citei que estamos em um processo altamente democrático de reforma institucional.

 

No Brasil há 27 unidades federativas ( 26 estados e o Distrito Federal ). A UEB possui 26 Regiões Escoteiras ( apenas o estado de Tocantins ainda não possui uma Região ). Contudo, conforme foi dito em um dos Seminários durante aquela Assembléia, na primeira grande chamada pública feita a todas as 26 Diretorias Regionais somente a Região do Distrito Federal apresentou uma proposta de reforma. Em um documento de 5 páginas a UEB-DF propôs 6 mudanças na estrutura da organização.

 

Contudo, para permitir uma ampliação dos participantes no processo, foi solicitado naquele Seminário Nacional, em abril, que pelo menos as pessoas dentro daquela sala pensassem e fizessem também sugestões de reformas. O processo estava então aberto a todos. Não me lembro a quantidade exata de pessoas que lá estavam, mas eram umas 50. Era um salão muito grande, mas mesmo assim estava superlotado. A cada minuto aparecia alguém com uma cadeira embaixo do braço, tentando ingressar no recinto. O prazo estipulado para o encerramento desta segunda chamada pública foi o dia 30 de junho ( 2 meses depois ).

 

Resolvi ajudar na divulgação deste processo:

 

No meio do caminho ( 24 de maio ) realizei uma palestra na Região Rio para passar as novidades da Assembléia Nacional, principalmente esta abertura democrática do processo de reforma da UEB. Estiveram presentes 33 pessoas, sendo 11 destas Presidentes de Grupos Escoteiros. Logo em seguida divulguei também na lista da Rede Nacional de Jovens Líderes, composta por mais de 300 pessoas de várias Regiões. Divulguei ainda em comunidades do orkut e aqui no Blog ( tendo este último sido acessado, sobre aquele tópico e naquele momento, por pelo menos 200 pessoas ).

 

Então, embora apenas no último dia, enviei a minha proposta ( ver: http://movimentoescoteiro.blogspot.com/2006/07/propostas-para-reforma-da-ueb_14.html ) ao Escritório Nacional da UEB, que a encaminhou ao estimado Conselheiro que está liderando este processo, o Sr. Mario Farinon. Em um documento de 9 páginas proponho 10 mudanças no escotismo brasileiro.

 

Passados mais de um mês do encerramento do prazo para o envio resolvi perguntar ao Conselheiro como estava o andamento deste processo de reforma. Fiquei de queixo caído com a resposta. Depois daquela proposta enviada pela Região DF, houve somente uma proposta enviada: a minha.

 

Como é que mais ninguém colaborou?

 

Sei que se eu não tivesse ido à Assembléia Nacional eu não teria ficado sabendo deste processo de reforma. Porém, eu fui, e ainda divulguei isto em massa. As pessoas podem argumentar que não ficaram sabendo, isto deve mesmo ter acontecido, mas por outro lado também houve muita gente que ficou sabendo. Numa estimativa conservadora, acredito que no mínimo 300 pessoas diferentes souberam. Se achar exagero, então considere que no mínimo as 50 pessoas que estavam naquela sala tinham pleno conhecimento do processo. E de todas estas por que somente uma enviou sugestões?

 

Acredito que é hora de refletirmos sobre nossas atitudes. Todos nós. Eu, inclusive.

 

Lutamos pelos jovens. Todos nós temos este mesmo objetivo, independentemente de sermos Escotistas ou Dirigentes. Disto não resta a menor dúvida. Porém, indiretamente falando, no que tange à estrutura de apoio aos Grupos Escoteiros (que é o trabalho dos Dirigentes Institucionais, seja qual for o nível de atuação), neste momento sou forçado a questionar: Vale a pena lutar pela melhoria da instituição? Ao lado de quem exatamente estou lutando? Somos um exército de um homem só?

segunda-feira, agosto 14, 2006

Pesquisa UEB - 2006 (sobre o PJ)

Em julho último, o Conselho de Administração Nacional (CAN) da União dos Escoteiros do Brasil (UEB) se reuniu em Brasília. Logo após esta reunião dois dos Conselheiros Nacionais me enviaram e-mails, com o que parece ser uma boa notícia:

O CAN deliberou que a Diretoria Executiva Nacional (DEN) faça através de uma comissão independente uma avaliação da aplicação do Programa de Jovens em todo o país. Isto envolverá a realização de pesquisas e de outros mecanismos. A metodologia dessa pesquisa será coordenada pela DEN. Esta avaliação já tem data de entrega: deverá estar concluída até abril de 2007, sem falta. O objetivo é o levantamento de dados concretos para balizar as ações futuras da UEB.

Imediatamente respondi a ambos, não apenas agradecendo a agilidade no repasse da informação (demonstrando o quanto ambos estão engajados neste processo) e sugerindo o seguinte (copio parte do e-mail abaixo):

 

“Passei os últimos 3 anos fazendo pesquisa acadêmica (primeiro no Mestrado e depois de forma independente) e aprendi, na prática, que existem pontos muito importantes em qualquer pesquisa, e que se qualquer etapa não for rigorosamente executada, tempo e esforços podem ser desperdiçados.

Deixo como contribuição a listagem destes passos, que seguem abaixo, resumidamente:

 

1- O que eu quero saber? O Problema / A pergunta que se quer responder deve ser pertinente e estar bem definida, por escrito.

2- A quem eu vou perguntar? A Amostra e o Universo devem ser representativos.

3- O que eu vou perguntar, e de que forma? O Instrumento da Pesquisa deve ser bem feito, com boas perguntas, que respondam ao Problema inicial. As perguntas devem ser criadas já visualizando como será o tratamento dos dados. A forma de aplicar o instrumento (questionários com perguntas abertas e/ou fechadas, entrevistas, etc.) deve ser bem estudada.

4- Os dados foram coletados, mas o que eles dizem? O tratamento e a análise dos dados devem ser bem feitos (não apenas englobando o total, mas também separando por variáveis como, por exemplo: se o respondente é membro juvenil ou membro adulto; tempo de movimento; ramo de atuação, Região).

5- Pré-teste: A pesquisa deve passar por um pré-teste, com uma pequena amostra, para ser aperfeiçoada antes de ser usada em grande escala.

6- O que reportar? Os Pesquisadores deve ser isentos, e reportar em relatório escrito tudo aquilo que houver sido levantado, independentemente de qualquer opinião pessoal. O relatório deve ser amplamente divulgado.

7- Conclusões tomadas: e agora, o que vamos fazer? Políticas devem ser tomadas com base nos resultados destas pesquisas.

 

            Coloco-me a disposição para qualquer ajuda que for necessária para efetuar tal pesquisa.

 

Obrigado,


David Izecksohn Neto

Mestre em Administração Pública (EBAPE / FGV)”

 

 

 

Bem, agradeço novamente aos estimados Rubem Tadeu e Rafael Macedo, membros do CAN, pelo ágil repasse da informação.

 

Leitores deste BLOG, vamos aguardar, e torcer para que tenhamos uma excelente pesquisa pela frente.

 

 

 

 

 

Fóruns de Jovens

Acredito fielmente que tínhamos que voltar a fazer os Fóruns de Jovens, por todo o país e de forma integrada.

 

Já pensei em fazer isto localmente, mas sozinho eu conseguiria muito pouca representatividade para demonstrar à Direção Nacional da UEB os resultados que encontrasse, sejam eles quais fossem.

 

Aqui na minha cidade (Niterói-RJ), onde eu conseguiria de forma relativamente fácil efetuar este tipo de coisa, somos 14 Grupos, com um efetivo de cerca de 600 membros (entre jovens e adultos). Isto dá mais ou menos 1% de toda a UEB – tanto em termos de Grupos quanto em termos de efetivo - uma vez que existem cerca de 1.200 Grupos e exatamente 57.562 registrados segundo o censo de 31 de dezembro. Só que 1% é pouco, principalmente se os participantes forem todos da mesma cidade.

 

Se tivéssemos pessoas interessadas em vários Estados, que fizessem o mesmo Fórum em sua cidade (ou área, pólo ou similar), somaríamos muitos números e teríamos, de fato, como saber o que pensam os jovens e também os adultos que trabalham com aqueles (sim, penso em fazer algo em paralelo com os adultos também – afinal, eles certamente também têm algo a dizer).

 

Teríamos apenas que nos unir, formatar tal Fórum e fomentar a realização dos mesmos. E poderíamos fazer isto tudo até o final deste ano, para podermos apresentar os resultados (sejam eles quais fossem) na próxima Assembléia Nacional da UEB.

 

Por que não? Vamos (re)fundar o espírito do “Ask the boy” em nossa associação!

Afinal, parodiando o antigo ditado: se a UEB não vai até os jovens, os jovens vão até a UEB!

 

Quem topa se engajar na idéia, realizando, no mínimo, dentro do seu próprio Grupo Escoteiro e de outros 3 Grupos vizinhos? Aos interessados peço que deixem aqui as seguintes informações, conforme o exemplo:

 

- Nome: David

- Idade: 25 anos

- Numeral / Região do seu Grupo: 8 / RJ

- Funções atuais no Movimento: Diretor do Clube da Flor de Lis no 8/RJ; Delegado Regional na Assembléia Nacional

- Quantidade aproximada de membros do seu Grupo (jovens+adultos): 80 pessoas

- Quantidade de Grupos vizinhos onde poderia fazer pessoalmente o contato: 14

- E-mail para contato: dinscout@yahoo.com.br

 

Se tivermos um bom número de pessoas, elaboramos em conjunto as perguntas e dinâmica do Fórum, e enviamos o material para que todos realizem o mesmo Fórum. Mas alerta pessoal, é um grande compromisso a ser assumido.

 

Sempre Alerta!

Minha opinião sobre o PJ

Minha opinião, da forma mais sucinta possível, sobre a alteração, nos anos 2000, do Programa Educativo da UEB (antes chamado de Programa Escoteiro e atualmente denominado Programa de Jovens):

 

Acredito que saímos de um pólo ao outro. Em minha opinião o problema não eram os manuais, mas sim a aplicação dos mesmos, em alguns Grupos, e por alguns chefes, uma vez que a parte dos “valores” no guia era meio subentendida.

 

Inclusive, não podemos nos esquecer de que o PJ não trouxe somente novos manuais para os JOVENS. O PJ também CRIOU manuais específicos para os ESCOTISTAS.

 

Se estes manuais dos ESCOTISTAS tivessem vindo solitariamente teriam feito muito bem, sem trazer o lado ruim de ter que vender uma idéia nova, de ter que “jogar no lixo” os guias antigos, etc. Afinal, realmente se o problema eram os adultos, a UEB não deveria ter alterado o programa dos jovens (principalmente sem lhes perguntar sua opinião), mas sim o programa dos adultos.

 

De toda forma, ambos os programas têm seus lados positivos e negativos. Realmente deveria haver uma revisão sobre o mesmo. Desde que eu lancei a idéia de um Programa mesclado (PE + PJ), muita gente tem parado para refletir sobre isto. E a idéia não é original, eu só parei para ver o que muitos Grupos têm feito, com sucesso.

sexta-feira, julho 14, 2006

Propostas para a Reforma da UEB


Na última postagem explanei as novidades da última Assembléia Nacional da UEB. Dentre elas, como citado, está o democrático processo liderado pela Comissão Nacional de Gestão Institucional, para reformar a União dos Escoteiros do Brasil.

Contudo, como também citei no tópico anterior, dentre todas as Diretorias Regionais, somente a Região do Distrito Federal encaminhou proposta. Devemos congratular, e muito, esta Região, que cumpriu com o seu dever. Porém, acredito que para não ficar limitado a uma única proposta, o CAN resolveu, no I Seminário Nacional sobre o tema (que aconteceu em abril deste ano) abrir o processo a todos os membros da UEB que assim o desejassem, ampliando o prazo para até o dia 30 de junho de 2006, para que pudéssemos prosseguir com o processo de reforma.

Muitos de vocês podem não ter ficado sabendo disto. Se for este o caso, e você for Escotista ou Dirigente de Grupo, verifique quem são os seus Delegados Regionais e cobrem isto deles. Afinal, eles foram eleitos e são os responsáveis não apenas por representar a Região na Assembléia Nacional, mas também por “trazer de volta” a informação para as suas Regiões, para que os Grupos Escoteiros possam ficar sabendo o que está ocorrendo e participar de processos democráticos como estes.

Por vezes culpamos a “Direção Nacional” pelas falhas do Escotismo no Brasil (de forma semelhante quando jogamos a culpa no “Governo”), mas não sabemos que ela até tentou chegar até o Grupo, mas as vias intermediárias não repassaram a informação. Este processo de reforma institucional é um exemplo claro disto. Mesmo sendo Presidente de um Grupo Escoteiro, se não fosse por eu estar presente na Assembléia Nacional de Fortaleza, eu certamente não teria ficado sabendo que poderia enviar propostas para a reforma da UEB. Porém, este é um tema para um futuro debate...

Voltando ao assunto principal: Tendo em vista que o processo estava aberto a propostas, arregacei as mangas e lá fui eu escrever uma cartinha para a UEB. Pensei, pensei, e depois de queimar um pouco os miolos cheguei a 10 sugestões práticas que, penso eu, melhorariam bastante a nossa instituição.

Pode ser que existam outras sugestões melhores (não tenho acesso às demais propostas, nem sei quantas são ao total), mas gostaria de compartilhar com todos o que escrevi à Direção Nacional. Eis a carta:



Niterói, RJ, 30 de junho de 2006.


De: David Izecksohn Neto – Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB / Diretor Presidente do 8º/RJ GESFA
A: Conselho de Administração Nacional da União dos Escoteiros do Brasil
Via: E-mail para o Escritório Nacional, com cópia para os Diretores Presidentes de cada Região Escoteira.
Assunto: Proposta de reformulação institucional da UEB
Referência: Solicitação feita no Seminário Nacional de Gestão Institucional (04/2006).
Anexo: Histórico sobre o Programa de Jovens e Crescimento do Efetivo da UEB




Estive presente ao Seminário Nacional de Gestão Institucional que ocorreu em Fortaleza em abril deste ano e atendendo a chamada realizada naquela ocasião envio minhas sugestões para o aprimoramento de alguns pontos em nossa instituição. Tais opiniões são fruto apenas de minha visão como Diretor Presidente de um Grupo Escoteiro, não devendo ser consideradas opiniões representativas de toda a Região Rio.

Na condição de Delegado Regional realizei inclusive uma Palestra na Região Rio, para expor este processo democrático de reforma institucional e comunicar que o mesmo estava aberto a sugestões por qualquer membro da UEB.

Dividirei este documento em duas partes. Na primeira proponho uma reflexão sobre a queda do nosso efetivo nacional, o que eu acredito ser o nosso principal problema e fato gerador deste processo de reforma institucional. Na segunda parte faço sugestões práticas para a reforma da UEB.

Em um arquivo anexo envio um Histórico que preparei com o resumo de atas da nossa instituição, que tratam do crescimento do efetivo da UEB e do Programa de Jovens, as quais servem de ilustração para o que irei expor neste documento.

PARTE 1: Uma Reflexão Sobre a Queda do Efetivo Nacional da UEB

Nota para os leitores do BLOG:
O texto que eu inseri nesta “Parte 1” desta carta à Direção Nacional foi exatamente o mesmo da primeira postagem deste BLOG, intitulada “Quedas no efetivo da União dos Escoteiros do Brasil: uma reflexão”. Desta forma, se ainda não o leu, leia e faça esta reflexão antes de prosseguir com a leitura deste documento.
A carta prossegue a partir daí:

...

Apenas resumindo minha tese: em minha opinião não foi a cor do uniforme ou o conteúdo do programa que teriam determinado estas quedas. Porém, o fato de terem sido mudanças radicais, feitas na base da imposição, dentro de um Movimento que é composto por voluntários, é que teriam acarretado estas revoltas e com isto a falta de motivação em adotar o “novo/imposto” ou de ali permanecer, dentre outros problemas.
Repito: seria isto tudo coincidência? Deixo esta pergunta como reflexão a todos vocês.

PARTE 2: Sugestões Práticas para a Reforma da UEB

Na minha concepção, se não fosse pelo trabalho dos Escotistas com os jovens, as Diretorias das Unidades Escoteiras Locais não teriam razão de existir. O que dizer então das estruturas Regionais, Nacionais e Internacionais?!

Desta forma, a reforma da UEB deve ter em mente o benefício direto aos jovens e as Unidades Locais. Só que hoje temos uma estrutura nacional que está muito afastada dos Grupos Escoteiros. Como poderíamos aproximá-los? Dou algumas sugestões a seguir.

Também penso que nem toda a nossa necessidade de melhoria depende de alterações estatutárias, mas sim de políticas permanentes de ouvir a real demanda dos Grupos Escoteiros.

Sugiro o seguinte, sobre 10 itens distintos:


1- Divulgação obrigatória no site da UEB dos endereços eletrônicos (e-mails) de cada membro do Conselho de Administração Nacional e da Diretoria Executiva Nacional.

Desta forma qualquer membro da UEB poderia entrar facilmente em contato com estas pessoas. Hoje isto é praticamente impossível, a não ser que você seja “do meio”.


2- Criação na estrutura da UEB, do Fórum Virtual Permanentemente Aberto dos Diretores Presidentes das Unidades Escoteiras Locais de todo o país. Participariam deste Fórum, também, todos os Diretores Presidentes das Regiões Escoteiras, assim como todos os membros do CAN e da DEN.

No nível local, a figura de maior autoridade é o Diretor Presidente. Por ser o responsável direto pelo planejamento do seu Grupo Escoteiro, em sua atuação ele diariamente percebe os problemas pelos quais o seu Grupo passa. Através da troca de experiências bem-sucedidas entre os Grupos, alguns destes problemas poderiam ser evitados ou minimizados caso ele tivesse o acesso às experiências de outros Diretores Presidentes.

Ainda, com este Fórum a Direção Nacional e as Direções Regionais poderiam identificar o que é uma dificuldade específica de um Grupo Escoteiro e o que é uma dificuldade generalizada para a maioria dos Grupos Escoteiros de uma Região e/ou de todo o Brasil. Neste último caso, os Dirigentes Nacionais (CAN e DEN) poderiam saber em tempo real ou no curtíssimo prazo o que tem dado certo e o que tem dado errado nas políticas traçadas pela Direção Nacional.

Este Fórum, de caráter aberto, onde todos os presidentes estariam convidados a escrever suas demandas (ao contrário da lista hoje existente de Dirigentes na yahoogrupos, que é meramente informativa) inclusive tornaria os Diretores Presidentes co-responsáveis pelas políticas nacionais. Haveria um sentimento de “estar participando” das esferas decisórias (o que, de fato, ocorreria) e isto inclusive valorizaria a função de Presidente de Grupo.

Tal Fórum, inclusive, poderia ter anualmente duas sessões de forma presencial, a primeira durante os Congressos Escoteiros Regionais (cada Região faria a sua), e a segunda durante o Congresso Escoteiro Nacional.

É válido considerar que, tendo em vista que os membros do CAN e da DEN não necessariamente trabalham no dia-a-dia dos Grupos Escoteiros, este seria um espaço privilegiado para que a Direção Nacional pudesse conhecer as demandas reais do “povo escoteiro” para poder trabalhar de forma eficiente a fim de melhor atendê-las.

Ou seja, o principal objetivo seria o atendimento das necessidades reais para o bom trabalho com os jovens. Seria a participação chegando diretamente até os Grupos Escoteiros.


3- Mandato fixo para a Diretoria Executiva Nacional (DEN)

Hoje a DEN é escolhida e/ou ratificada a cada reunião do CAN. Como este se reúne 3 ou 4 vezes por ano, isto na prática significa que os membros da DEN podem ter um mandato muito curto. Se um Presidente da UEB quiser, por exemplo, fazer uma mudança muito drástica, ficará a perigo de ser retirado da DEN na próxima reunião, dali 3 ou 4 meses. Isto está errado. Um Dirigente tem que poder pensar a longo prazo, tomando as políticas que julga serem necessárias. Porém, para ele ter a garantia que a política que tomar terá tempo de mostrar os frutos com os resultados, ele precisa ter a garantia de permanência naquela função por, pelo menos, um ano inteiro, uma vez que certas políticas dão bons resultados, mas estes às vezes levam certo tempo para aparecer.

Desta forma, sugiro que toda a Diretoria Executiva Nacional (DEN) tenha um mandato fixo de, pelo menos, 1 ano.

Sugiro também que a DEN obrigatoriamente seja escolhida dentre os membros do CAN. Assim a Assembléia Nacional estaria efetivamente escolhendo os Dirigentes Nacionais, sabendo que, dentre os membros eleitos ao CAN, um deles será o Presidente da instituição.

Ainda, já ouvi de alguns membros e ex-membros do CAN a reclamação de que enxergam conflitos de funções entre o CAN e a DEN, e que os executivos nacionais se reportam apenas à DEN. Este problema deve ser solucionado, ou então o CAN e a DEN deveriam se tornar um órgão único.


4- Comissão Nacional de Programa de Jovens (CNPJ): alteração na estrutura

Hoje os membros da CNPJ devem ser indicados pelas Diretorias Regionais. E há Diretorias que não indicam ninguém, ou indicam poucas pessoas, conforme anunciado no Seminário Nacional de Programa de Jovens realizado em abril deste ano. Em minha opinião, cada Região deveria eleger anualmente, por ocasião das suas Assembléias Regionais, os seus representantes com direito a voto na CNPJ. Assim o compromisso destes seria maior (foram eleitos), a Região como um todo tomaria conhecimento e seria co-participante do processo de escolha das melhores pessoas para compor a CNPJ. E, em última análise, não faltariam braços para trabalhar na CNPJ.

Ainda, há o problema que a CNPJ só faz recomendações, não possuindo poderes para deliberar. Quem tem este poder é apenas o CAN e a DEN. Desta forma, percebemos que o problema da CNPJ não é apenas de falta de debate ou de pessoas para trabalhar, mas sim de poder executar o que foi decidido.

Exemplifico:

Reuniões da CNPJ de março de 2002; novembro de 2003 e junho de 2004:
– Nestas três reuniões foram explicitadas a necessidade de técnicas escoteiras para complementar os novos guias, uma vez que não havia quase nenhuma técnica neles.

Reuniões da CNPJ de novembro de 2003 e novembro de 2004:
– Nestas duas reuniões foram argumentados que os 4 guias dos lobinhos deveriam ser somente 2 guias.

Contudo, estamos em 2006 (já se passaram quase 3 anos destas reuniões), e estes pontos continuam a ser motivo de crítica por grande parte dos Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros, assim como pela própria CNPJ (conforme pôde ser percebido no já citado seminário nacional de programa de jovens).

Desta forma, vem a pergunta: Por que a coisa não anda? Será que no ano que vem vamos continuar a ouvir estas mesmas necessidades de mudança?

Torna-se relevante questionarmos: nos últimos anos, que serventia teve a CNPJ? Pela análise das suas atas, vemos que muitas coisas boas foram lá discutidas, mas, sem o poder de decisão / execução, muito pouca coisa saiu do papel.

Ou seja, a estrutura da CNPJ deveria ser repensada, para ganhar poder decisório.


5- Publicações Escoteiras: todas que forem aprovadas pelo CAN deverão ser disponibilizadas para todas as regiões e grupos escoteiros, pela loja escoteira nacional.

Temos um problema hoje com as publicações do programa de jovens, pois as mesmas estão atrasadas. Contudo, há Regiões que têm publicado materiais interessantes e de conteúdo rico, só que estes materiais acabam ficando com suas circulações restritas naquelas Regiões. Isto é errado.

Todas as publicações deveriam ser levadas ao CAN, que, se aprovasse as mesmas, deveria disponibilizar a sua venda na loja escoteira nacional, permitindo que todos os Grupos tomassem conhecimento das mesmas e pudessem adquirir tais materiais.

Enquanto isto não acontece, os escotistas e dirigentes, quando podem, têm que fazer “importação” (ou seria “contrabando”?), de um Estado para o outro.


6- POR: mudanças só se vierem explicitadas e com argumentos para a sua modificação. Mudanças que afetassem os jovens deveriam ter que ser aprovadas também pela CNPJ.

O Estatuto da UEB só pode ser alterado em Assembléia Nacional. Porém o POR pode ser alterado pela Direção Nacional, mesmo sendo um documento essencial para o nosso dia-a-dia. O resultado é que os Grupos Escoteiros tem que acatar as decisões, e muitas das vezes eles não ficam sabendo o porquê das mudanças, nem quais foram estas (a não ser que leiam o documento inteiro). Desta forma, sugiro que as mudanças no POR sempre venham explicitadas, em negrito, e acompanhadas de um documento que explique o que gerou aquela modificação. Assim os escotistas e dirigentes poderiam entender o que gerou a mudança, sem ficarem revoltados por, além de não terem sido consultados, não terem sido informados dos motivos das modificações.

Já as mudanças que afetem os jovens deveriam ser objeto de aprovação na CNPJ (conforme composição sugerida anteriormente), pois seria o fórum mais experiente para tomar este tipo de decisão.


7- Atas da CNPJ, CAN, Assembléias e Reuniões de Diretorias Regionais: disponibilizadas no site da UEB Nacional (ou Regiões, conforme o caso) 15 dias após o acontecimento.

É certo que as atas das reuniões da CNPJ, do CAN, das Assembléias Nacionais e Regionais e das Reuniões das Diretorias Regionais devem ser motivo de aprovação na reunião seguinte dos respectivos órgãos. Porém, cabe salientar a necessidade de todas as pessoas que não estiveram presentes a estes eventos conhecerem o que se passou nos mesmos, antes que o assunto se torne letra morta. Desta forma, sugiro que “atas sob aprovação” sejam disponibilizadas em até 15 dias após estes acontecimentos, para qualquer membro da UEB poder acessá-las. Após a aprovação definitiva, a ata seria substituída.


8- Pesquisas de opinião periódicas.

Baden-Powell falava em “Ask the boy”. Porém, a maior parte das mudanças que afetam os jovens não passam por pesquisas. Que dizer então das mudanças que afetam os Escotistas e Dirigentes? Foi assim com a mudança no uniforme, foi assim com a mudança no Programa Educativo, foi assim com a mudança no processo de Liz de Ouro, foi assim com a mudança na Insígnia de B-P, só para citar alguns exemplos.

Os órgãos nacionais geralmente tomam decisões pela opinião deles próprios. Não fazem pesquisas nacionais, não dão o direito a qualquer membro da UEB de expor a sua opinião, ou quando dão tal direito (como foi o caso da mudança no POR), não enviam resposta às sugestões enviadas que não foram consideradas.

O resultado disto é que a Direção Nacional por vezes realiza políticas que vão contra o interesse dos Grupo Escoteiros, por simples desconhecimento do que se passa dentro dos mesmos.

Perguntar não ofende, não faz mal, pelo contrário, valoriza a pessoa e torna a política mais sábia. O Fórum Permanente de Diretores Presidentes de Grupos Escoteiros, sugerido anteriormente, poderia ser um ótimo local para a realização destas pesquisas de opinião.

Afinal, qualquer grande organização que se preze, antes de “vender” um produto novo, realiza uma pesquisa de opinião para saber se aquele produto irá “vender” bem, ou a melhor forma de fazê-lo.


9- Cursos Escoteiros: modificar as Diretrizes Nacionais para Gestão de Adultos

A quantidade mínima de participantes deveria ser reduzida: no caso de uma Região não conseguir alcançar os 12 integrantes mínimos, o curso de escotistas deveria ser efetuado com no mínimo 8 membros (duas patrulhas de quatro pessoas) e o de dirigentes com no mínimo 3 membros (quantidade equivalente a uma diretoria eleita). Infelizmente, da forma como é hoje, a “flexibilização” é relativa, e muitas vezes não ocorre. Desta forma, as vezes quem quer fazer curso acaba não conseguindo, e isto prejudica e muito o funcionamento dos Grupos Escoteiros, assim como a motivação dos adultos que têm seus cursos cancelados.


10- Refletir sobre como uma imposição sobre algo que afeta o dia-a-dia dos Grupos Escoteiros pode causar revoltas altamente prejudiciais

Reflitam sobre o gráfico da Parte 1 deste documento.


Encaminho estas sugestões para serem analisadas pelo Conselho de Administração Nacional, particularmente a Comissão Nacional de Gestão Institucional. Como último questionamento, deixo a seguinte pergunta: Hoje temos uma Plano Estratégico da UEB para até 2010. Embora ele tenha sido elaborado no final de 2005, só em junho deste ano ele foi disponibilizado a todos. E quando da sua disponibilização ele já se encontrava com vários itens atrasados. Por quê? O problema é mesmo o planejamento estratégico, ou outra coisa? Afinal, planejamento estratégico já tínhamos antes (o que foi feito do “plano nacional de crescimento”?). Então, por que a coisa não anda? Espero que esta reforma institucional ajude a responder, e a resolver, esta pergunta.

Caminhemos rumo a uma UEB mais eficiente. No que eu puder ajudar, estarei a disposição.

Aproveito para dar os parabéns a todos os responsáveis pela qualidade do processo democrático que se prevê neste mecanismo de reforma da UEB. Passar pelo CAN, DEN, Conselho Consultivo, Assembléia Nacional, Seminários Regionais e Seminários Nacionais é simplesmente sensacional, e, penso eu, justamente o que tínhamos que fazer, sempre.

Sempre Alerta,

Niterói, 30 de junho de 2006.

David Izecksohn Neto
Diretor Presidente do 8º/RJ Grupo Escoteiro São Francisco de Assis
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB
Membro presente ao Seminário Nacional de Gestão Institucional (abril / 2006)
Registro UEB Nº 058693-5

dinscout@yahoo.com.br
www.movimentoescoteiro.blogspot.com



AOS LEITORES DESTE BLOG:
Gostaria de lembrar que a chamada de propostas acabou, mas que este foi somente o primeiro passo. O cronograma deste processo de reforma prevê a discussão generalizada por todo o país. Ou seja: é muito democrático, mas temos que batalhar para que os Seminários Regionais aconteçam (e estejamos todos lá para dar a nossa opinião) e que os nossos representantes (Delegados Regionais e candidatos ao CAN), eleitos por nós, estejam engajados com o processo de desenvolvimento da nossa instituição. Desta forma, mesmo que você não possa ir fisicamente até a Assembléia Nacional da UEB que ocorrerá em Goiânia (2007), você terá a certeza de que o assunto foi discutido com quem realmente interessa:
OS GRUPOS ESCOTEIROS.

Fique atento às novidades (itens azuis no quadro que inicia este tópico), cobre da sua Diretoria Regional, dos seus Delegados Regionais e dos membros do CAN residentes em sua Região. É seu direito, e também o seu dever fazê-lo.

PARTICIPE!

Quem sabe você não tem uma boa idéia para levarmos adiante?
Caso queira contribuir com este debate sobre a reforma da UEB, utilize o botão “comments” abaixo, e deixe a sua opinião.

sexta-feira, julho 07, 2006

Novidades da Assembléia Nacional 2006: Programa de Jovens & Estrutura da UEB

A seguir encontra-se a Palestra que fiz na sede da Região Rio para permitir a todos os Escotistas e Dirigentes exercerem o seu direito de saber o que se passou na Assembléia Nacional da UEB (Fortaleza, abril de 2006), inclusive sabendo como podem colaborar com a reforma pela qual passa a nossa instituição.
A palestra teve dois temas básicos: Programa de Jovens e Estrutura da UEB.
Estive presente nesta Assembléia como Delegado Regional. Participei de cada Seminário, anotei todas estas informações e preparei este material. Fiz tudo sozinho. Digo isto não para ganhar a glória, mas sim para alertar que são informações independentes, não-oficiais ou autorizadas pela UEB (assim como tudo neste BLOG). Mas, como bom escoteiro que sou, afirmo que estive bem atento, anotei tudo o que julguei ser do interesse dos Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros e preparei este material com total imparcialidade, cumprindo o meu dever com esta instituição.
Desta forma, façam bom proveito destas informações. Investi meu tempo e cerca de R$1.500,00 do meu rico dinheirinho entre passagens, inscrição e hospedagem. Porém agora qualquer um que tenha acesso à internet pode facilmente e de forma gratuita saber o que foi tratado em Fortaleza.
Inicio a palestra com alguns pensamentos que eu tinha antes de viajar, depois exponho o que se passou por lá e finalmente o caminho que teremos pela frente até a próxima Assembléia Nacional.

Palestra na Região Rio - 24 de maio de 2006.
David Izecksohn Neto - Delegado pela Região Rio à Assembléia Nacional da UEB 2006

Introdução: Objetivos na minha ida à Fortaleza
• Solicitar mudanças:
– 1: POR
• Que sempre venham anexadas as justificativas para as alterações nas regras.
– 2: PROGRAMA DE JOVENS (PJ)
• Censo: Avaliação Nacional do Programa de Jovens, entre jovens e adultos, verificando a sua satisfação.
• Sugestão: Programa Híbrido (Programa de Jovens + Programa Escoteiro).
• Prazos: exigir prazos para a edição dos guias escoteiros, e caso a OSI não cumpra os prazos, que a própria UEB termine os materiais.

Baseava-me nos seguintes princípios:
• O PJ veio substituir o Programa Escoteiro (PE), mas o fez muito mal, pois embora tenha descrito efetivamente a nossa pedagogia, não trouxe a parte técnica inclusa nos seus guias. E com a extinção do guia antigo, ficamos com um gargalo que prejudica e muito a todos os que praticam Escotismo diretamente com os jovens.
• Se a OSI não cumpre os prazos, deveria ser retirada desta função. Ou a UEB deveria se retirar deste projeto interamericano (PJ), e tocar por si a tarefa.
• Muitos Grupos, de vários estados, hoje adotam uma forma mista de programa (PJ e PE). Usam os guias novos, mas continuam a adotar as técnicas dos guias antigos, pela falta de uma nova publicação com técnicas.
• Seria fácil reeditar o guia escoteiro antigo (ele já está pronto). Se retirássemos o quadro de etapas da frente dele, ele seria um simples livro de “Técnicas Escoteiras Úteis”. Infelizmente, a UEB resolveu abolir tal livro.
• Mais ainda: Por que não fazermos isto:
• Uma forma MISTA (Guias novos sendo utilizados para a conquista de distintivos de progressão, E o guia antigo para a conquista das classes, sendo que para a conquista das classes obrigatoriamente seria necessário conquistar pelo menos um distintivo de progressão).
• Um retrocesso? Não, pelo contrário: Desta forma voltaríamos rapidamente a termos as técnicas escoteiras em uma publicação e ainda por cima estimularíamos os jovens a conquistarem as suas progressões (uma vez que se não o fizessem, não poderiam conquistar novas classes).

Inscrevi 4 assuntos gerais para discussão na Assembléia Nacional
1 – Proposta de pesquisa sobre o Programa de Jovens e sobre o Programa Escoteiro.
2 – Proposta de alteração do atual Programa de Jovens.
3 – Criação de um documento que demonstre os motivos das alterações no POR.
4 – Requisição para que os livros “Escotismo Para Rapazes” e “Guia Escoteiro” voltem a ser publicados.

E preparei dois materiais:
- Pesquisa: “Avaliando o Programa de Jovens”.
-“Histórico: artigos selecionados de documentos da UEB sobre Programa de Jovens e crescimento da UEB”.

Agora começa a Assembléia e o Congresso Escoteiro Nacional

Plenárias (2):
Eleições para o CAN, Com. Fiscal e Com. Ética Nacional
– Divulgação de atividades nacionais.
– Votação sobre a ata anterior, relatório anual e contas nacionais.
– Escolha da região sede da próxima Assembléia.
– Apreciação das recomendações dos Seminários e do Fórum Nacional de Jovens Líderes.
– Assuntos Gerais.

• Sessão Solene: entrega de medalhas.

• Reunião do Conselho de Administração Nacional (CAN)

• Reunião do Conselho Consultivo

Reuniões das Comissões Nacionais
– Comissão de Programa de Jovens.
– Comissão de Relações Internacionais.
– Comissão de Gestão de Adultos.
– Comissão de Relações Institucionais.
– Obs.: Na estrutura da UEB também existem a Comissão Nacional de Crescimento e a Comissão Nacional de Gestão Institucional.

Seminários Nacionais
– Programa de Jovens.
– Gestão Institucional.
– Gestão de Adultos.
– Obs.: Também ocorreram os Seminários: “Escotismo e Necessidade Especiais” e “Escotismo e os Movimentos Sociais”.

Fórum Nacional de Jovens Líderes (FNJL)
– Workshops sobre a Rede Nacional, debates e eleição de membros para o núcleo nacional.

Seminário Nacional de Programa de Jovens – informações que obtive –

O PROBLEMA É:
– Mudou-se ao mesmo tempo:
• Estrutura da UEB
• Sistema de Formação de Adultos
• Programa de Jovens
• Ou seja, foram feitas muitas mudanças ao mesmo tempo, e a mudança no Programa não teve o embasamento de cursos e adultos já adaptados ao mesmo.
• Começaram a ocorrer cursos conceituais, e não práticos. E isso não funciona.
• No ramo lobinho, ao invés de quatro guias, poderiam ter sido somente dois.
• O manual do chefe é grande demais, confunde, assusta; uns 20% dele podia ser retirado. Como mudou junto do sistema de formação, quem explicava?
• Faltam técnicas nos guias. Há pontos positivos e negativos nas publicações do programa de jovens. Há excessos e há faltas. É necessária a adequação.
• O gosto que foi dado nos guias não foi de Escotismo. Foi de escola.
• O programa foi vendido apenas conceitualmente, sem as técnicas. Foi vendido errado.
• Baden-Powell dizia que quando você vai pescar não usa a isca com a comida que você gosta, mas com aquela que o peixe gosta (atividades progressivas, atraentes e variadas).
• Houve interpretações equivocadas – muito disso por causa do programa ter sido mal vendido.
• Equívoco: achar que a conduta é mais importante que as atividades. A conduta é o resultado natural pela prática das atividades escoteiras. Antes o equívoco era o inverso (de achar que a prática escoteira era mais importante que a boa conduta dos jovens).
• Equívoco: confundir conceitos fundamentais com conceitos acessórios.
• Na África as atividades ao ar livre são diferentes (lá por exemplo não se faz mesa de bambu). Ou seja, o importante não é ensinarmos uma técnica específica, mas sim realizarmos atividades ao ar livre e usarmos todos os elementos do método escoteiro, tendo os instrumentos para aplicá-lo.
• Contribuir com a educação dos jovens, oferecendo um conjunto de experiências que contribuem para a formação integral. Este é o nosso objetivo.
• Saber; Saber fazer; Saber ser.
• Antes, no programa escoteiro, não havia parâmetro para avaliar a conduta, mas apenas para avaliar o conhecimento.
• A UEB vendeu errado a idéia de programa escoteiro X programa de jovens. Na verdade, deveríamos chamar o atual de Novo Programa Educativo.
• A vivência de escotista é muito importante para se perceber isto tudo. E quem vendia a idéia não tinha essa vivência, não via o problema pelo lado da aplicação prática.
• A única mudança do novo programa é que a progressão passa a ser avaliada pelas condutas que o jovem vai adquirir e não pelas técnicas que aprendeu a executar.
• Mas você pode aplicar tudo aquilo que era aplicado no programa de antes.
• O Chefe pode até não conhecer os objetivos educativos, mas se aplicar bem as atividades vai fazer Escotismo bem feito, alcançando tais objetivos. Afinal, os bons chefes já educavam bem os seus membros juvenis.
• O programa de jovens do ramo sênior não muda nada do que já se fazia.
• Lealdade, companheirismo, amizade, são alguns conceitos que existem tanto dentro de uma patrulha escoteira, quanto de um bando de ladrões. O nosso diferencial são os valores da promessa e da lei escoteira.
• OSI: desastre total no processo de redação das publicações.
• CNPJ: faz recomendações. Não delibera. Quem tem este poder é o CAN e a DEN.
• Se a OSI não fizer (até o meio de 2006) a UEB fará até o final do ano. Os prazos finais para as publicações sobre o programa de jovens fazem parte do plano estratégico do CAN e será divulgado em breve.
Várias Regiões não enviaram os seus indicados para formar todas as subcomissões da CNPJ (para cada subcomissão a Região deve enviar 1 indicado). Somente as Regiões do Paraná, Goiás e Pará indicaram pessoas para todas as subcomissões. Assim, o resultado é que faltam braços para trabalhar em prol do que ficou faltando no programa de jovens.

– Subcomissões da CNPJ que existem hoje:
• Sub-Comissão Ramo Lobinho
• Sub-Comissão Ramo Escoteiro
• Sub-Comissão Ramo Sênior
• Sub-Comissão Ramo Pioneiro
• Sub-Comissão Atividades Comunitárias
• Sub-Comissão Comunicações
• Sub-Comissão Conservacionismo
• Sub-Comissão Escotismo para todos
• Sub-Comissão Especialidades
• Sub-Comissão Espiritualidade
• Sub-Comissão Modalidade Ar
• Sub-Comissão Modalidade Mar
• Sub-Comissão Radioescotismo

• Da mesma forma, várias Regiões também não formaram um grupo de trabalho para discutir o capítulo 4 do manual do escotista do ramo sênior.

QUESTIONAMENTO QUE FIZ NO SEMINÁRIO:

Nas Reuniões da CNPJ de março/2002; novembro/2003 e junho de 2004:
– Nestas três reuniões foram explicitadas a necessidade de técnicas escoteiras para complementar os novos guias, uma vez que não havia quase nada neles.

Nas Reuniões da CNPJ de novembro de 2003 e novembro de 2004:
– Nestas duas reuniões foram argumentados que os 4 guias dos lobinhos deveriam ser somente 2 guias.

Desta forma, vem a pergunta: neste Seminário, em 2006, estes dois pontos também foram citados.
Então por que a coisa não anda? Será que no ano que vem vamos vir aqui continuar a ouvir estas mesmas necessidades?

Resumindo o que eu aprendi neste Seminário...

1- A UEB admite que o Programa de Jovens está defeituoso em suas publicações. Que o Programa Escoteiro era bom nas partes técnicas, embora pecasse pela falta de uma forma de avaliar a conduta do jovens.
2- A UEB decidiu, durante esta Assembléia, que a OSI terá um prazo para terminar o trabalho.
3- Ou seja, uma pesquisa que avalie a satisfação dos jovens e adultos com o atual programa não faz sentido. A própria cúpula da UEB não está satisfeita.
4- Ainda, a UEB está preparando um novo guia com técnicas escoteiras, ainda melhor que o Guia antigo. A previsão de conclusão do mesmo é no segundo semestre de 2006.

Seminário Nacional de Gestão de Adultos – informações que obtive –

• Distribuíram o Kit Formador para as Regiões presentes.
• Implantação da Rede Nacional de Gestão de Adultos:
– Produção de literaturas
• Produção de material de apoio ao formador.
• Produção de materiais para oficinas temáticas (Ex: Programação de uma reunião de seção; Administração de Grupo Escoteiro).
• Apresentação de publicações escoteiras:
– já estão circulando, embora não em todas as Regiões, como instrumentos de apoio aos Escotistas, Dirigentes e Jovens.
• Jamboree Mundial de 2007 à já temos aproximadamente 330 inscritos do Brasil.

Seminário Nacional de Gestão Institucional – informações que obtive –

PLANO DE AÇÃO: Prioridade estratégica: Apresentar na Assembléia Nacional de abril/2007 para deliberação, após a promoção de estudos, uma proposta de Estrutura de Gestão Profissionalizada, ágil e eficaz.
Acompanhem o cronograma...

• Novembro de 2005: CAN cria Grupo de Trabalho (GT) para elaborar a primeira minuta de proposta para a nova Estrutura de Gestão da UEB, a ser discutida em Seminário no Congresso Nacional de Fortaleza (em abril de 2006).
• Novembro de 2005: DEN solicita às Regiões e aos membros da CNGI que enviem sugestões até o dia 04 de março de 2006.
• Escritório Nacional recebe as sugestões e as encaminha ao GT até 18 de março.
• GT analisa e discute as sugestões e prepara uma nova minuta (até 26 de março) para apresentar no Seminário Nacional de Fortaleza (em abril de 2006).
• GT realiza em abril de 2006 o I Seminário Nacional, para discussão da minuta – participação livre de todos os membros da UEB interessados.
• DEN encaminha até 08 de maio para as Regiões o resultado do I Seminário estimulando a realização de discussão em Seminários Regionais e solicitando o encaminhamento de novas sugestões até 26 de agosto.
• GT sistematizar as propostas recebidas das Regiões, formulando nova minuta de proposta, a ser discutida nas reuniões do CAN e do Conselho Consultivo de novembro de 2006, quando será extraída a proposta definitiva a ser discutida no II Seminário Nacional a ser realizado junto a Assembléia Nacional em Goiânia / 2007.
• CAN: aprovação do encaminhamento da proposta de alteração estatutária. Convocação da Assembléia Nacional Extraordinária (abril/2007 em Goiânia), para apreciação e deliberação sobre a proposta de alteração estatutária.
• GT: II Seminário Nacional sobre Estrutura Organizacional da UEB, durante o Congresso Nacional em Goiânia (abril de 2007), destinado a discutir a proposta apresentada pelo CAN, para ajustes e encaminhamento para a Assembléia Nacional Extraordinária.
Assembléia Nacional: Apreciação e deliberação da proposta de alteração estatutária, a partir do resultado colhido no II Seminário Nacional.

Ou seja, um processo bem democrático de reestruturação institucional
• “Vamos ter uma idéia viável. Todo ano discutimos a mesma coisa e nada muda. Quem pode fazer? Nós, a Assembléia Nacional. Nos dê a sua idéia para a gestão da UEB. Qual é a estrutura que você acha viável para a nossa Instituição?”
• Contudo, o prazo anterior foi cumprido somente pela UEB-DF.
• O novo prazo: até 30 de junho para o envio das propostas (você também pode participar). Enviar para o Escritório Nacional: ueb.adm@escoteiros.org.br

Voltando aos assuntos... Por fim...

• Acabei cancelando 3 dos 4 assuntos gerais:
1 – Proposta de pesquisa sobre o Programa de Jovens e sobre o Programa Escoteiro.
--> não tem mais razão de ser.
2 – Proposta de alteração do atual Programa de Jovens.
--> não tem mais razão de ser, uma vez que vem aí um novo guia.
3 – Criação de um documento que demonstre os motivos das alterações no POR.
--> Permaneceu. Foi encaminhado para a DEN.
4 – Requisição para que os livros “Escotismo Para Rapazes” e “Guia Escoteiro” voltem a ser publicados.
--> não tem mais razão de ser (inclusive, foi lançado nesta Assembléia a nova edição deste livro de Baden-Powell, embora tenhamos ficado 15 meses sem ele).

Palavras finais

• Os assuntos que relatei sobre o Programa de Jovens na verdade não são novos. O conteúdo desta palestra já é história antiga para muitas pessoas. O problema é que as informações que passam nas Assembléias e Seminários Nacionais não chegam a maioria dos Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros, que são os maiores interessados. Desta forma ficamos com uma visão deturpada do trabalho que está sendo realizado em prol do Escotismo no Brasil. Quando falamos de trabalho voluntário, isso é extremamente problemático. É nossa obrigação, principalmente como Delegados Regionais, fazer com que esta informação alcance o maior número possível de pessoas.
• Afinal, se não fosse pelos trabalhos dos Escotistas com os jovens cada uma das Diretorias das Unidades Locais seria inútil. O que dizer então das estruturas Regionais, Nacionais e Internacionais?!
• Agradeço a todas as pessoas que durante e após esta bela atividade nacional colaboraram para que eu pudesse esclarecer tais pontos. Fui a Fortaleza com um objetivo, fiz algo totalmente diferente, mas acredito que trouxe boas notícias na bagagem.
• Realmente o PJ e a estrutura da UEB merecem muitas melhorias, mas grandes passos estão sendo dados em prol deste objetivo.

E agora?

• E agora? Agora vamos sempre divulgar todas as informações, vamos trabalhar, vamos cobrar de nossas Regiões as indicações para as subcomissões nacionais (quanto mais braços melhor), vamos colaborar com o processo de modificação da estrutura da UEB (rumo a uma organização mais eficiente), vamos unir a União dos Escoteiros do Brasil, que mais do que Regiões, deveria ser uma unidade (em minha opinião todos na Assembléia Nacional deveriam usar o lenço nacional, afinal, mais do que representar nossas regiões, estamos lá pensando e agindo em prol de todo o país).

Obs.: Links interessantes:
– WOSM:
www.scout.org à Muitos materiais / publicações (em inglês) interessantes para o trabalho de Escotistas e Dirigentes.
– OSI:
www.wsb-osi.cl/ à Efetue o download dos guias dos jovens e dos Escotistas (em espanhol e inglês).
INFORMAÇÃO É PODER
VAMOS DISTRIBUIR ESTE PODER ATÉ A BASE: OS GRUPOS ESCOTEIROS


“FALTAM BRAÇOS”
É IMPRESSIONANTE OUVIR ISTO, POIS SABEMOS QUE MUITAS PESSOAS GOSTARIAM DE AJUDAR AS INSTÂNCIAS SUPERIORES DA UEB, MAS NÃO SABEM COMO. DIVULGUE ESTAS INFORMAÇÕES.

RUMO A UMA UEB MAIS EFICIENTE!

SEMPRE ALERTA!
David Izecksohn Neto
dinscout@yahoo.com.br
Espero que esta palestra tenha sido proveitosa para você e solicito que encaminhe estas informações para dentro do seu Grupo Escoteiro (lembrando que os documentos que preparei devem ser considerados “independentes, não-oficiais ou autorizados pela UEB”), para que um número crescente de pessoas possa usufruir destes conhecimentos.

terça-feira, junho 27, 2006

Quedas no efetivo da União dos Escoteiros do Brasil: uma reflexão


O assunto é importante. Olhem este gráfico que eu preparei, depois de muito suar a procura destas informações. Considero que este exercício é de extrema relevância para o desenvolvimento da União dos Escoteiros do Brasil (UEB). O gráfico mostra o censo oficial da UEB, no final de cada ano, de 1980 a 2005.
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Fico olhando para este gráfico, tentando compreender as razões das quedas no efetivo.
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Nestes 25 anos o efetivo caiu em 10 anos e nos outros 15 anos subiu. Sendo que destas 10 quedas, 4 são referentes justamente aos últimos 4 anos. Houve também uma enorme queda de 1993 para 1995 (20.000 pessoas). Esta grande queda interrompeu uma curva de ascensão que existia, no mínimo, desde o início da década de 80.
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Fico tentando imaginar o motivo da grande queda de 1993 a 1995 e da queda continuada de 2001 para cá.
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Pode ser que eu esteja enganado, pode ser que as variáveis sejam outras, internas ou externas ao Movimento Escoteiro (gostaria de ouvir opiniões sobre isto), mas consigo pensar em dois motivos internos para estas duas quedas:
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Lembro que em 1992, aos 11 anos de idade, quando eu ingressei no Movimento Escoteiro, havia uma enorme revolta em relação à imposição da mudança de uniforme (ninguém mais poderia adotar o cáqui). A revolta foi tão grande que acarretou, algum tempo depois, na volta atrás da posição pela UEB, e aquilo virou opcional. Mas como muita gente já tinha mudado, a maioria não voltou ao que era antes, e ficou no uniforme novo mesmo.
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Já em 2000 foi o ano em que nenhuma alcatéia poderia mais usar o (antigo) programa escoteiro, teria que adotar o (novo) programa de jovens. Em 1999 iniciou-se efetivamente este processo. E foi motivo de muita revolta, principalmente porque a expectativa era que a imposição do novo programa seria também estendida aos demais ramos, que sofreriam muitas modificações. Gerou muita, muita revolta. E o processo depois disto ficou estagnado, não havendo, no ramo escoteiro, integralmente as publicações nem do antigo nem do novo programa, com revoltas generalizadas pelos anos de atraso destas publicações.
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Repito: posso estar enganado. Mas não seriam, talvez, estas duas quedas (a grande, no passado; e a continuada, situação em que nos encontramos) resultados de REVOLTAS dentro do Movimento Escoteiro? Às vezes um fato leva algum tempo para surtir efeito (6 meses, 1 ano, depende do fato), e como o nosso Movimento é composto por voluntários, para os quais ou a alegria reina ou o voluntário debanda dali a algum tempo, considero importante considerar estas duas grandes ocasiões de revoltas nesta análise das quedas do nosso efetivo. Seria isto tudo coincidência?
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Estamos hoje num processo de reforma institucional da UEB. Mas temos que olhar para trás e tentar entender as razões que nos levaram: 1- a crescer; e 2- a decrescer. Temos que ver o que deu certo e o que deu errado. Temos uma grande história já escrita que nos permite refletir sobre o que devemos fazer para reverter a situação atual, retomando o crescimento e não passando por estas crises novamente. Por isto julgo válido todos nós fazermos uma reflexão profunda, séria, com este gráfico com os dados oficiais do efetivo da UEB.
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Gostaria que este material alcançasse a toda a Direção Nacional da UEB (Conselho de Administração Nacional - CAN e Diretoria Executiva Nacional - DEN). Quem sabe isto não deveria ser assunto da próxima reunião do CAN, marcada agora para julho?
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Os dados estão aí. É hora de analisarmos e refletirmos sobre o passado, para que possamos traçar melhor o nosso futuro.
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E você, o que pensa a respeito?
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Sempre Alerta,
David Izecksohn Neto
Diretor Presidente do 8º/RJ - GESFA
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB