O assunto é importante. Olhem este gráfico que eu preparei, depois de muito suar a procura destas informações. Considero que este exercício é de extrema relevância para o desenvolvimento da União dos Escoteiros do Brasil (UEB). O gráfico mostra o censo oficial da UEB, no final de cada ano, de 1980 a 2005.
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Fico olhando para este gráfico, tentando compreender as razões das quedas no efetivo.
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Nestes 25 anos o efetivo caiu em 10 anos e nos outros 15 anos subiu. Sendo que destas 10 quedas, 4 são referentes justamente aos últimos 4 anos. Houve também uma enorme queda de 1993 para 1995 (20.000 pessoas). Esta grande queda interrompeu uma curva de ascensão que existia, no mínimo, desde o início da década de 80.
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Fico tentando imaginar o motivo da grande queda de 1993 a 1995 e da queda continuada de 2001 para cá.
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Pode ser que eu esteja enganado, pode ser que as variáveis sejam outras, internas ou externas ao Movimento Escoteiro (gostaria de ouvir opiniões sobre isto), mas consigo pensar em dois motivos internos para estas duas quedas:
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Lembro que em 1992, aos 11 anos de idade, quando eu ingressei no Movimento Escoteiro, havia uma enorme revolta em relação à imposição da mudança de uniforme (ninguém mais poderia adotar o cáqui). A revolta foi tão grande que acarretou, algum tempo depois, na volta atrás da posição pela UEB, e aquilo virou opcional. Mas como muita gente já tinha mudado, a maioria não voltou ao que era antes, e ficou no uniforme novo mesmo.
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Já em 2000 foi o ano em que nenhuma alcatéia poderia mais usar o (antigo) programa escoteiro, teria que adotar o (novo) programa de jovens. Em 1999 iniciou-se efetivamente este processo. E foi motivo de muita revolta, principalmente porque a expectativa era que a imposição do novo programa seria também estendida aos demais ramos, que sofreriam muitas modificações. Gerou muita, muita revolta. E o processo depois disto ficou estagnado, não havendo, no ramo escoteiro, integralmente as publicações nem do antigo nem do novo programa, com revoltas generalizadas pelos anos de atraso destas publicações.
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Repito: posso estar enganado. Mas não seriam, talvez, estas duas quedas (a grande, no passado; e a continuada, situação em que nos encontramos) resultados de REVOLTAS dentro do Movimento Escoteiro? Às vezes um fato leva algum tempo para surtir efeito (6 meses, 1 ano, depende do fato), e como o nosso Movimento é composto por voluntários, para os quais ou a alegria reina ou o voluntário debanda dali a algum tempo, considero importante considerar estas duas grandes ocasiões de revoltas nesta análise das quedas do nosso efetivo. Seria isto tudo coincidência?
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Estamos hoje num processo de reforma institucional da UEB. Mas temos que olhar para trás e tentar entender as razões que nos levaram: 1- a crescer; e 2- a decrescer. Temos que ver o que deu certo e o que deu errado. Temos uma grande história já escrita que nos permite refletir sobre o que devemos fazer para reverter a situação atual, retomando o crescimento e não passando por estas crises novamente. Por isto julgo válido todos nós fazermos uma reflexão profunda, séria, com este gráfico com os dados oficiais do efetivo da UEB.
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Gostaria que este material alcançasse a toda a Direção Nacional da UEB (Conselho de Administração Nacional - CAN e Diretoria Executiva Nacional - DEN). Quem sabe isto não deveria ser assunto da próxima reunião do CAN, marcada agora para julho?
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Os dados estão aí. É hora de analisarmos e refletirmos sobre o passado, para que possamos traçar melhor o nosso futuro.
Os dados estão aí. É hora de analisarmos e refletirmos sobre o passado, para que possamos traçar melhor o nosso futuro.
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E você, o que pensa a respeito?
E você, o que pensa a respeito?
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Sempre Alerta,
Sempre Alerta,
David Izecksohn Neto
Diretor Presidente do 8º/RJ - GESFA
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB
Delegado Regional à Assembléia Nacional da UEB


11 comentários:
Olá David e demais irmãos de Promessa.
Lendo suas escritas, e vendo este gráfico, reafirmo uma conclusão que já persigo a um tempo.
Não creio que uma instituição sem fins lucrativos e sem algum tipo de totalitarismo (mesmo que na teoria), como a nossa, evolua se não ouvir a opinião de cada um dos seus membros sempre que um assunto delicado seja posto.
Para se ter idéia... recentemente, a República Italiana está reformulando alguns ítens da sua Constituição. Todos os Italianos, residentes ou não em Itália, estão recebendo cédulas de votação para uma pesquisa de opinião.
Pois bem. Quando que isto ocorre no Brasil? Nosso escotismo vem sendo golpeado francamente de uma ditadura não aparente. Alguns decidem por todos.
Assim, a primeira queda desta evolução numérica do seu gráfico, eu identifico da mesma forma como a retirada opressiva dos uniformes. Ninguém quiz saber a opinião de ninguém... logo na segunda queda, vem a mudança do Programa, que seguiu uma tentativa de mudanças em alguns pilares do nosso escotismo nacional - extintas as estrelas dos lobinhos e as classes dos escoteiros, além de ser vulgarizada a importancia dos simbolismos destes para nossos jovens. "É mais fácil adaptar as etapas para a ignorancia dos que não sabem fazer cumpri-las do que preparar chefes para as artes escoteiras, nosso meio característico de faze-las"
Assim, importantes mudanças como estas nada se teve de pesquisa de opinião, afinal... o que interessa saber se um grupo do Mar do Pará gosta de usar seu uniforme característico... que interessa saber se um grupo básico do Rio Grande do Sul gosta de usar seu uniforme característico? Da mesma forma... que interessa saber se um chefe se dá melhor trabalhando pelo sistema de CLasses ou pela pedagogia européia traveztida pelo Chile (duas realidades muitooooo próximas da nossa !!! ô como!!!)
Bem, resumindo.
Na minha opinião, coisas que não sejam meramente administrativas, merecem grandes pesquisas... grandes e responsáveis pesquisas... se manipulação alheia... pois nem todos seguem a Promessa Escoteira a risca, como deveriam (preferem usar da logica de Maquiavel).
Sempre Alerta !
Prezado David
Lendo sua pesquisa sobre a evasão acentuada no ME Brasileiro, e por estar afastado no período em que estas mudanças ocorreram (1989-2003), penso e avalio que estas mudanças deveriam ter ocorrido através de uma larga pesquisa a nível nacional, aonde os grupos (Unidades Locais) poderiam expressar suas expectativas e opiniões, o que acho não ocorreu.
Focando o atual Programa de Jovens, com uma visão e ênfase nos tradicionais métodos pedagógicos atuais, vejo um certo distanciamento da realidade vivida nos grupos. Certamente temos que caminhar para a frente, adotando políticas e metodologias atuais, sem perder o foco nos pilares do Escotismo. Neste sentido, e na própria convivência com os jovens atuais, percebo neles um certo desprezo pelas atuais etapas de progressão, etc. Já ouvi em de muitos, que o atual programa não incentiva e não põe em desafio as potencialidades intelectuais, físicas e morais deles. Dizem até que hoje em dia ser um ESCOTEIRO DA PÁTRIA....qualquer um poder ser, dada as facilidades de se "conquistar" as etapas e a insígnia.
Para mim, precisamos ouvir mais nossos jovens, pois é para eles que trabalhamos voluntáriamente e é para eles que B-P criou este fabuloso Movimento de Educação !
Abraços
Sempre Alerta para Servir!
Luiz Custodio
David,
Primeiramente parabéns pelo Blog, ficou muito interessante esse espaço para debate e reflexão, acabo de ler e concordar com tudo, inclusive com os comentários dos grandes amigos Torriceli e Luiz Custódio.
Como bom administrador e pelo fato de adorar gráficos e dados, o que pude observar é que apesar da queda acentuada de 93 a 95 iríamos voltar a crescer e recuperar o efetivo, isso comprova que talvez não faça tanta diferença substituir o uniforme mesmo que por imposição, isso em termos de efetivo, mas que com imposição se perde boa parte da base que sustenta o movimento (adultos voluntários).
Já com a imposição do Programa de Jovens, eu já quase saí por conta disso, mexer no programa e no sistema de progressão é muito grave, bem diferente de trocar o uniforme, já são 4 anos com queda de efetivo, quantos anos mais caindo para reagir?, está o caos, o escotismo praticamente morreu, não existe mais, pode até ser que cresça novamente mesmo com o programa de jovens, daqui a 20 anos pode ser que a UEB chegue ao efetivo de 100000 membros, porém volto a dizer: o escotismo morreu e não existe mais. Existe muita coisa boa na idéia do Programa de Jovens, estudei bastante o assunto, ele deve existir na plenitude apoiando o programa escoteiro.
O que deve ser apresentado aos jovens e trabalhado nas seções é o sistema de progressão de classes, estrelas, eficiências; isso foi criado com muita propriedade o ser humano é muito vaidoso e luta por distintivos, gosta da dificuldade, do desafio, da conquista, a estrutura do programa de jovens deve existir para mostrar aos escotistas e dirigentes qual a importância pedagógica das etapas o que deve ser levado em consideração no acompanhamento pessoal do jovem, o que considerar no planejamento da seção, o que considerar na corte de honra. Simples assim, fizeram uma salada mista que ninguém entende, não conseguem colocar em prática, não conseguem fazer funcionar uma seção, estão todos perdidos.
Posso estar errado, mas acho que vai chegar ao ponto da imposição ter que ser de baixo para cima, de grupos para UEB. Simplesmente continuarmos com o bom e velho programa escoteiro levando em consideração “as propostas do programa de jovens”. Fabricarmos os velhos guias de etapas de classe, fabricarmos os distintivos de classe e usarmos na marra, e com o sucesso os outros grupos vão aderindo a idéia. Aí sim a UEB (CAN e DEN) vai se ver forçada a se mexer tomar uma atitude.
Sempre Alerta para Servir !
Prezado David,
fico feliz com mais esta iniciativa sua...
Penso igual aos companheiros Torricelli, Bahia e Custodio, e não vejo outra causa para a queda em nosso efetivo do que senão estas mudanças, mais pela imposição delas do que pela mudança por si só.
O que me entristece é que mesmo com esta reação negativa ás mudanças a UEB não se manifesta, ou quando a faz, faz tarde demais.
Se tentarmos falar contra o programa, somos repreendidos e tratados como "ignorantes", pois quem não concorda é porque "não o entendeu"...
Temo que a saída seja a sugerida pelo Bahia, mas eu não exitaria em fazê-la.
Lembro-me da mudança do uniforme pro traje, da forma como a "carta" enviada pela UEB aos grupos foi redigida e a imposição era bem clara.
Fui o primeiro em meu GE a vestir o jeans, era sênior, revoltado, mas gostei de usa-lo em substituição a calça cinza... acredito que se houvesse uma pesquisa, um estudo, o jeans ganharia... mas não foi assim.
Recebi as primeiras informações do Macpro num CA e lá fomos repreendidos pelo escotista que aplicava a seção por nós sermos contrarios a forma como o Programa Escoteiro passava a ser mostrado... um programa que não deu certo, algo bem negativo, como hoje é tratado pelos que batem na tecla do programa de Jovens. O discurso é o mesmo: "Agora vai ser bom" (antes não era bom?), "Agora o jovem vai decidir o que quer fazer" (não decidia? ou não sabiam usar suas Corte de Honras e Conselhos de Tropa?)... e por aí vai.
Lembro que na palestra do Programa de Jovens apresentada pelo Osny, quem se colocasse contrario ou fizesse uma pergunta "maldosa" era respondido com respostas destemperadas. Na palestra ele disse que ia acabar a "palhaçada" de montar barraca numa sede que ficava entre prédios...ele classificou como algo a ser aniquilado... foi triste ver grandes formadores se retirando da sala a cada "mostra" do que seria o novo programa.
Taí, nosso movimento hoje está caminhando para um programa mais maduro, mais profissional e com certeza, menos escoteiro, pois não queremos formar chefes, e sim adultos capazes... capazes a que? Não conheço lugar nenhum em que eu receba meu diploma e depois faça a faculdade, que eu ganhe a gratificação pelo serviço que ainda vou prestar, nem no próprio escotismo (leia-se formação de adultos) é assim, ou alguém conhece alguém que tenha o colar de Insígnia sem ter feito o Nível Avançado? Mas esta é a linha de pensamento...nao é?
Fico por aqui, muito triste com o rumo que tomamos, e muito feliz com o rumo que viremos a tomar...
Parabens David
Valeu!
Sempre Alerta
Luiz Alexandre F. Ferro (Luizinho³³)
Chefe de Tropa Sênior
33ºRJ GEAR PADRE VERMIN
David,
Parabéns pela iniciativa de buscar de forma acadêmica apresentar uma base sólida para que possamos estudar a crise do Movimento Escoteiro.
Sou educador profissional e não sei se isso é, para mim, um fator contribuinte para que eu veja o Programa de Jovens com tão descontentamento.
Concordo com o Bahia que existem pontos interessantes no programa. Contudo, não vejo que sejam pontos tão interessantes a ponto de fazermos grandes mudanças para utliza-los.
Penso, de forma muito particular, que existe uma grande diferença de adaptação para improvisação. Podemos pegar um time de futebol e adaptar nele um jogador, que embora jogue na posição a contento, não tem nela dua posição oficial. Este jogador foi adaptado mas dentro de sua realidade.
No caso de improvisarmos um jogador ... bem, ai vimos isso bem nesta eliminação do Brasil. Pegamos um jogador, e colocamos ele de forma errada em uma posição que não é a dele, achando que tão somente o seu talento superará esta "aberração tática".
Assim vejo o program de jovens. Ao invés dele ter sido adaptado e moldado para se encaixar ao Metódo Escoteiro, vimos o Método Escoteiro tendo sendo moldado, deturpado para se moldar ao programa de Jovens.
Na minha opinão este "pedagogismo" barato foi maquiado para ser vendido aos chefes escoteiros. Buscaram "bons vendedores" para oferecer este "medicamento" que ninguém conhecia os efeitos colaterais.
Contudo, esta improvisação barata provocou consquências mais severas que as esperadas e hoje não temos nenhum destes "bons vendedores" que possuam a humildade de reconhecerem seu erro e possibilitarem a troca do produto. Dentro deste contexto, fica claro que o consumidor sente saudade do velho produto.
É triste e deprimente como uma insituição que busca as mais modernas práticas pedagógicas caminhe na contra-mão do mundo. Hoje vivemos no mundo uma democracia plena e nossos gestores escoteiros caminham de forma contrária. A maneira com que o Escotismo é dirigido hoje nos faz, inevitavelmente, perceber que estamos em um regime ditador e totalitário. Os Escotistas não tem voz e os que tentam falar são abafados por manobras politicas que deixam até o mais "nobre" dos parlamentares de boca aberta.
A base da educação é o amor ... qualquer profissional sabe disso. Não podemos obrigar ninguém a amar e muito menos impor um amor. ada em educação pode ser imposto de forma autoritária. Isso é uma premissa básica que os exímios educadores que coordenam o PJ no Brasil estão esquecendo ... se queremos caminhar em uma novadireção precisamos saber se nossas pernas querem obedecer nossa vontade, pois tem horas que isso não acontece e travamos ... caímos.
Acho importante que tomemos sempre mão de nossa história e observemos que sempreq] que tivemos um regime ditatorial, tivemos uma série de movimento revoltosos e que ais cedo ou mais tarde a verdade da história pode bater na porta da UEB.
Fica aqui o meu desabafo com esta improvisação grosseira e meu mais sincero sentimento.Como eu queria que tivessemos adaptado este "novo jogador" ao invés de improvisa-lo aleatóriamente, e com isso estivessemos sido sagrados campeões do mundo na vida de cada um dos jovens que abandonaram o Movimento Escoteiro vitmas do monstro chamado PJ.
David, parabéns pela iniciativa, tá show de bola!!!
Só para acrescentar nos comentários, concordo com tudo que falaram acima... e acho que fizermos um outro gráfico, com a informação de quantos membros perdemos a cada ano o quadro vai mostar uma realidade muito pior... chutando acho que em 3/4 anos perdemos um contigente inteirinho de elementos... sendo forçados a captar, mais e mais elementos...
Tá na hora de nos mexermos, senão este gráfico vai descer ladeira abaixo!!!
Parabéns pelo blog, gráfico e análise. Sei que é apenas o início de uma excelente empreitada, que deve saudada por sua coragem e contribuição para reflexões sobre o movimento escoteiro.
Mas, embora concorde com o seu texto em geral e a sua hipótese - que desde já me parece correta - e com as interpretações dos comentaristas, acho que devem ser considerados mais alguns pontos de inflexão na trajetória do movimento escoteiro.
Um, ainda interno, que é a reação dos adultos do movimento escoteiro às medidas adotadas e, sobretudo, à forma com que foram adotadas. Tal reação é evidente em inúmeras conversas e mesmo nos depoimentos acima. Percebe-se a crítica não só ao conteúdo do programa de jovens (a questão do uniforme parece ter sido superada) mas ao procedimento de implantação (no caso, de ambos), considerado como autoritário. De fato, a questão está relacionada à estrutura e funcionamento do movimento escoteiro no Brasil e trata-se de propostas democráticas sufocadas pela cúpula do movimento ou que não tiveram ainda força suficiente para aflorar. Essas propostas, de forma, me parece, coerente, compreendem a necessidade de uma maior participação da base do movimento - jovens e adultos -, tanto em instâncias consultivas como deliberativas diretas, e não apenas representativas. Mas essa, repito, é uma questão interna que envolve mais a reação dos adultos que a dos jovens.
Uma outra questão, de ordem externa, seria o processo de modernização extremamente rápido da nossa sociedade, tanto dos meios de comunicação, como nas opções de lazer, nas relações familiares e, sobretudo, nos horizontes de cidadãos tranformados em meros consumidores: uma situação de apatia por parte da maioria da sociedade que vira mais "espectador" ou "passivo" do que um protagonista, um sujeito de transformação de sua vida e seu mundo. Assim consumimos de tudo, desde produtos essenciais à supérflúos, como os gadgets de informática, etc, invertendo quase sempre a ordem de prioridades e, consequentemente, de valores. A perda de referências políticas e sociais, ou mesmo religiosas (o que em alguns casos poderia ser até positivo, se substituído por outras melhores) acarreta na perda de perspectiva de vida, num imediatismo e egoísmo individualista.
Assim, a percepção da direção do movimento escoteiro nos anos noventa sobre a necessidade de adaptação do escotismo aos novos tempos, nessa perspectiva, me parece correta. Todavia, entre a intenção e o resultado, a coisa desandou: tanto por problemas do conteúdo, do método, dos procedimentos, como também porque não se captou ainda o que os jovens dessa nova sociedade desejam realmente. Isto é, para além do consumismo estéril, onde marcas da moda e sentimentos se equivalem. O escotismo precisa ouvir melhor os jovens e adultos do próprio movimento, conhecer as razões que atraíram e fazem permanecer no movimento. Uma proposta que passa por ouvir mais os grupos, a base, e que me lembra John Lennon: "Pense globalmente, atue no local." (ou mais ou menos isso)
SAPS,
Gelsom Rozentino
8 GESFA/RJ
"Odeio os indiferentes. (…) Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. (…) A indiferença atua poderosamente na história. (…) É a fatalidade; é aquilo com que não se pode contar; (…) é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca."
(Antonio Gramsci, 1917, teórico marxista)
Caro David,
Achei simplesmente perfeito esse tópico, e recomento fortemente que ele vá parar nas mãos de alguém na diretoria nacional da UEB. Esse gráfico simplesmente traduziu os efeitos dessa "reforma" institucional, como você disse, creio que referindo-se ao programa de jovens. Nós, jovens, não queremos um movimento pedagógico, mas sim um movimento que nos faça sentir o escotismo, e aprender a lutar até o fim por aquilo que queremos. Podemos ver no movimento escoteiro o ÚNICO movimento que ensina isso de forma tão eficiente, e isso está sendo alterado, rumo ao fracasso.
Agradeço a oportunidade,
caso queira manter contato meu MSN é jackosbourne_opk@hotmail.com
e meu orkut é http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=1858520639318990661
Abraços
Matheus
Acho que o que eu tinha a dizer sobre esse gráfico.. ja foi dito acima... a UEB simplesmente manda.. e todo mundo baixa a cabeça e obedece.. dai começama sair.. os chefes ficam se perguntando "por que está assim.. porque os escoteiros estão tao desanimados"..
oras... por culpa dos próprios chefes, mas em primeiro lugar.. da UEB.. que quer transformar o escotismo em uma escola.. daqui a pouco a progressão vai ser em forma de provas avaliativas.. discursivas e objetivas, que devem ser enviadas à respectiva região.. cada vez que se desejar subir nas classes.... vão existir disciplinas como "nós e amarras", obviamente digitalizado, pois pode correr o risco de alguem se machucar com a corda.. prender o dedo, ou sei lá... a disciplina "história de BP", "ensino religioso", dentre outras...
escotismo nao é escola!!!! escotismo voce temq ue ir pro mato ralar.. passar aperto.. pra aprender o significado de amizade, e isso precisa ser treinado pelos chefes. Fazer jogos que a pessoa pode ser a mais foda de todas.. sem os irmãos da patrulha, nunca vão conseguir ganhar. É fazer coisas que tenham risco sim, pois isso anima o jovem, talvez não tanto para os escoteiros, mas os seniores com certeza. eu quando era sênior sempre sonhei em fazer um acampamento de sobrevivência ou algo do tipo.. pra passar aperto mesmo... mas fala isso pra um diretor da UEB??? "não não.. isso faria nossas crianças se arriscarem muito. os pais depois vem reclamar.." Porcaria.. pai é o caramba.. quando o filho fosse entrar no escoteiro.. tinha que mostrar uma fita aos pais.. com as coisas mais malucas possiveis.. escoteiro fazendo rapel, jogando um bulldog (que diga-se de passagem, foi proibido por ser "violento"), algo do tipo... e falar "o escotismo é isso. se o seu filho voltar ralado ou quebrado para casa após uma campamento, será unica e exclusivamente culpa dele que não seguiu as regras de segurança ou não seguiu o lema "sempre alerta".
a gente tem que recuperar aquele espírito escoteiro... aquele de chegar em casa todo esfolado, e contar com orgulho para os pais "olha mae, esse arranhão aqui.. foi num jogo que a gente tinha que passar correndo sobre um tronco, só que eu escorreguei, cai, mas pulei de volta e completei o jogo". fazer o escoteiro ter orgulho de ser escoteiro.. de passar na rua de uniforme e as pessoas em vez de começarem a rir (sim, hoje escotismo é motivo de deboche) parem e falem "caraca, esse menino é escoteiro. eles são tudo maluco... fazem cada coisa que eu nunca teria coragem de fazer... entram no meio da mata a noite, etc etc".
outra coisa... ja está se tornando comum o escoteiro ser confundido com "desbravador", sendo que como o escotismo é mais antigo e o original, era pra ser o contrário. só que porque está ocorrendo o contrário??? cadê as propagandas, a divulgação.. do escotismo?? mostrando o escoteiro em ação em um acampamento.. igual na foto do guia do escoteiro.. fazendo jangada, etc etc.. e os escoteiros na rua fazendo por onde serem reconhecidos.. os desbravadores fazem isso.. qualquer coisinha na esquina tem um desbravador lá... e cadê os escoteiros?? tão lá fingindo serem escoteiros na sede.. sentados decorando história de BP e tal...
sinceramente nao vejo futuro para o escotismo.. a menos que todos se juntassem em vários pontos do país e fizem algum tipo de protesto.. pois a UEB não faz nada perguntando aos grupos e os associados.. simplesmente pega e faz. se for ruim.. todo mundo tem que reclamar pra talvez, com sorte, voltar atrás... isso ta errado.. cada votação da UEB tinha que ser feita por cada grupo.. cada grupo escoteiro tinha que ter o seu voto.. de modo que com um conselho de grupo, chegue-se a um consenso sobre as mudanças propostas...
sem mais para o momento, apenas mantenho a esperança de um escotismo melhor no Brasil.
Olá David, achei ótima sua iniciativa, aliás todas as suas iniciativas tomadas desde o congresso em fortaleza...
Não preciso dizer q concordo com o fato de as imposições institucionais da UEB. Acho que para que possamos fazer algo a respeito, principalmente do Programa de Jovens, sugiro que cada um de nós façam pesquisas dentro de seus Grupos, ou com pessoas que se afastaram do movimento para que possamos ter dados estatísticos, porém reais, do que os membros atuais e os evadidos acham do Programa de Jovens atual e do antigo. Recentemente, em meu GE, organizamos uma reunião com antigos membros do Grupo, aonde a principal queixa para o motivo dentro do movimento para ter saído ou de ter algum desanimo para voltar, pelo que eu vi, na maioria dos casos, existia alguma menção ao programa. bem. voltando. tendo em mãos os dados da pesquisa, podemos ter algo palpável para nos basearmos em qualquer reivindicação para a UEB.
Obrigado amigos,
JOão EMerson Vieira
Diretor Secretário - 3° GO
Ge. Polivalente
Prezado David:
Achamos (eu e a Silvia) sua iniciativa ótima, apesar das péssimas perspectivas para o futuro do Movimento no Brasil.
Vejo que os colegas que postaram comentários aqui aplaudem a sua idéia e se preocupam com o assunto.
Para mim que estou "voltando" agora, quero deixar registrado que concordo em gênero número e grau com as análises feitas pelo Gelsom. Acho que ali há um caminho a se seguir, Mas fiquei até desanimado, só de imaginar a trabalheira que vai dar para "ressuscitar" o Movimeto Escoteiro no Brasil, antes que alguém decida criar uma dissidência da UEB...
Não sei se aqui é o foro adequado para externar uma opinião que pode, ou não, ter a ver com tudo o que estamos dizendo. Se tiver deixe ficar. Se não tiver corte fora. É o seguinte:
No dia de encerramento do semenstre no GESTA houve aquela gincana de perguntas que a "moda" chama de "quiz". Achei tudo ótimo e interessante. Mais tarde, no entanto, comentei por e-mail com o Kobould que fiquei SINCERAMENTE IMPRESSIONADO e INCOMODADO com a "nova" maneira de se falar Baden Powell pelos Escoteiros! Bee-Pee! Meu Deus, o que é isso?! Calma, calma, calma, sei que não é VOCÊ nem o GESFA que falam assim, DEVEM SER TODOS OS ESCOTEIROS. Mesmo assim fiquei incomodado. E olha que eu sou um cara que fui criado nos Estados Unidos toda a minha infância e adolescência (mais de 15 anos de America!), aprendi a
falar inglês antes de falar português (fui alfabetizado em inglês!), - sou tradutor, tenho visto americano pro resto da vida, visto de residente, greencard, tudo! MAS NÃO ACEITO ESSA "INVASÃO" Levei uma "meia-hora" para entender o que era Bee-Pee. Primeiro pensei que era British Petroleum -- o que não fazia sentido; depois achei que seria uma brincadeira com "Bee" (abelha) e "Pee" (fazer xixi) o que fazia menos sentido ainda! Finalmente vi que estavam dizendo BP - Bê-Pê - Baden Powell.
Bem, não posso lutar contra as massas... Se ainda falassem Bê-Pê ainda vá lá, mas Bi-Pi?!
Foi demais... Bem, mas isso é problema meu. Ou será que tem a ver com esses números que você demonstrou?
Abração!
SAPS
Francisco Tauxo (e Silvia)
Escoteiro do GESFA nos anos 70!
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